Relação comercial do Brasil com Irã e Oriente Médio em 6 gráficos

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) alertou sobre a guerra em curso no Oriente Médio ao anunciar a balança comercial de fevereiro. O conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã pode impactar o embarque de commodities alimentícias para a região, que é uma das principais consumidoras de alimentos do Brasil, especialmente carne de aves, carne bovina, milho, soja e açúcar.

Os dados do comércio exterior brasileiro, divulgados em 5 de março de 2026, mostram a importância do Oriente Médio e do Irã para os produtores brasileiros. O Brasil exporta para a região principalmente produtos da indústria de transformação e da agricultura, com carnes de aves, açúcares e melaços e milho figurando entre os principais itens. O Oriente Médio representa 4,2% das exportações totais do Brasil, mas é o principal destino de commodities relevantes do país.

Em 2025, os envios de milho para a região representaram 32% do total enviado ao mundo, enquanto as exportações de carne de aves corresponderam a 30%. As exportações de açúcar e carne bovina para o Oriente Médio representaram 17% e 7%, respectivamente. Apesar da possibilidade de impacto, a demanda por esses produtos é considerada inelástica, pois são de consumo essencial.

Outro ponto de preocupação é o fechamento do Estreito de Ormuz, que pode gerar um choque no fornecimento de petróleo e combustíveis. O Brasil, apesar de ser um grande produtor de petróleo, também importa a commodity. As importações brasileiras do Oriente Médio são lideradas por óleos combustíveis de petróleo, que representam 43,5% das compras da região.

O Irã se destaca na relação comercial com o Brasil, encerrando 2025 como o terceiro maior parceiro comercial no Oriente Médio. Neste ano, até fevereiro, o Irã ocupa a 28ª posição em exportações e a 72ª em importações. O país foi o maior importador de milho do Brasil em 2025, respondendo por 23,1% das vendas brasileiras ao exterior, e já ocupa a segunda posição em 2026, com 24,1% das compras.

As vendas de milho ocorrem em maior volume a partir de maio, o que pode mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre as exportações. Além do milho, o Irã consome soja e açúcares do Brasil. Em contrapartida, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes do Irã em 2025, e entre janeiro e fevereiro de 2026, foram importados R$ 21,6 milhões, representando uma alta de 9.720,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Os fertilizantes representam 90,4% das compras brasileiras do Irã, e a alta internacional de preços pode impactar a agropecuária brasileira, encarecendo a produção e os preços de alimentos. A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, destacou que o aumento do custo dos fertilizantes afetaria a produção no campo e, consequentemente, os preços dos alimentos in natura e industrializados.

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