Relatórios diários da equipe de saúde que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão indicam uma rápida deterioração do quadro clínico antes da internação. Os registros, obtidos, começam na manhã de quarta-feira, 11 de março de 2026.
No dia 11, um profissional de saúde descreveu Bolsonaro em bom estado geral, relatando que ele havia feito uma caminhada de 4,2 quilômetros. Na mesma noite, o ex-presidente seguia sem queixas, sem episódios de soluço e com sinais vitais considerados adequados. A única observação fora do padrão foram “pequenos desequilíbrios” durante a caminhada, com a necessidade de seguir avaliando um possível risco de queda.
Na quinta-feira, 12 de março, os atendimentos da manhã e da tarde registraram bom estado geral, com saturação de oxigênio normal e poucas crises de soluço. O último atendimento foi anotado às 20h45, quando a enfermeira responsável descreveu Bolsonaro em estado “regular, lúcido e orientado”. Ele havia caminhado 5 quilômetros naquele dia, mas a saturação de oxigênio já apresentava leve queda, marcando 93%.
A anotação seguinte foi classificada como “registro de intercorrência”. A equipe médica da Papudinha foi acionada às 6h45 pelos agentes penitenciários para avaliar calafrios apresentados por Bolsonaro. Segundo o relatório, ele afirmou ter passado mal por volta das 2h da madrugada, sentindo náuseas e tremores, mas negou vômitos ou sintomas respiratórios.
No momento do atendimento, Bolsonaro estava com febre e a saturação de oxigênio havia caído para 82%, nível considerado muito baixo. Diante do quadro, os profissionais administraram medicação. Como a febre e a baixa saturação persistiram sem melhora, a equipe decidiu pela transferência para um hospital.
Uma ambulância do SAMU foi acionada e o médico particular do ex-presidente, Brasil Caiado, foi comunicado. Todo o procedimento, do acionamento da equipe da Papudinha à internação em hospital particular, durou cerca de duas horas. Os profissionais de saúde do presídio acompanharam Bolsonaro durante todo o processo e retornaram ao batalhão ao meio-dia de sexta-feira.
No hospital, Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana. Seu estado de saúde é considerado grave, embora estável. Ele permanece internado na UTI e, segundo o boletim médico mais recente, divulgado neste sábado, apresentou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios.


