Relatório dos EUA aponta que China utiliza bases no Brasil para vigilância

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um relatório divulgado por um comitê da Câmara dos EUA alega que a China estabeleceu uma rede de infraestrutura espacial na América Latina para vigilância de adversários e para potencialmente fortalecer suas capacidades militares. O documento menciona dois casos no Brasil e outros em países como Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile.

O relatório, intitulado “Atraindo a América Latina para a órbita da China”, foi publicado pelo Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos EUA sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista da China. O comitê é composto por 23 deputados, sendo 13 do Partido Republicano e 10 do Partido Democrata.

“Grande parte da vida cotidiana americana depende de satélites nos céus acima de nós, e é por isso que as operações espaciais da China são motivo de séria preocupação. A China está investindo em operações espaciais na América Latina apenas para promover sua agenda e minar a presença dos Estados Unidos no espaço”, afirmou o presidente do comitê, deputado republicano John Moolenaar.

““O presidente Trump agiu de forma decisiva para confrontar a influência maligna da China no Hemisfério Ocidental, e nossos aliados devem agir prontamente de acordo com as recomendações deste relatório e impedir a expansão da infraestrutura espacial chinesa”, acrescentou.”

A investigação do comitê alega que Pequim desenvolveu uma “extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios” na região, com o objetivo de coletar informações sobre adversários e aumentar a capacidade bélica do PLA (Exército de Libertação Popular).

O relatório afirma ter encontrado “ao menos onze instalações espaciais” ligadas à China na América Latina, que formam uma rede integrada de dupla utilização. “Essas instalações não são simplesmente projetos científicos isolados, mas fortalecem a capacidade da China de monitorar e potencialmente interromper as operações espaciais e militares de adversários”, diz o documento.

Entre as instalações citadas no Brasil, está a “Tucano Ground Station” (Estação Terrestre Tucano), que seria uma joint venture entre a startup brasileira Ayla Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology. O comitê menciona um memorando que garantiria a troca de dados operacionais entre as instalações.

““Essa integração fornece à República Popular da China um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira”, afirma o relatório.”

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que houve um Memorando de Entendimento entre 2020 e 2022 com a empresa Alya, mas não houve acordo para renovação. A fundadora da Alya Space, Aila Raquel, negou a alegação de joint venture e afirmou que o memorando não evoluiu para um contrato definitivo.

O relatório também menciona o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia, na Serra do Urubu, na Paraíba, estabelecido em 2025. O laboratório foi criado após um acordo entre o CESTNCRI e universidades brasileiras. O comitê destaca que a tecnologia desenvolvida pode ter aplicações de uso duplo para inteligência militar.

““A cooperação ainda está em fase inicial e não há nenhum projeto em execução”, afirmou a UFPB.”

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