Relatório final da CPMI do INSS propõe indiciamento de 216 pessoas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

No Congresso Nacional, a CPMI do INSS apresentou seu relatório final, sugerindo o indiciamento de 216 pessoas. A comissão foi criada para investigar desvios bilionários de benefícios destinados a aposentados e pensionistas e teve duração de seis meses.

A sessão de hoje, 27 de março de 2026, começou com uma troca de ofensas entre o relator Alfredo Gaspar, do PL, e o deputado Lindberg Farias, do PT. Após a situação ser controlada, Gaspar iniciou a leitura do documento, que descreve um ‘esquema profissionalizado’ dividido em núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político, atuando de forma coordenada para subtrair bilhões do sistema previdenciário.

O relatório aponta crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, com a acusação formal à Justiça cabendo ao Ministério Público. Entre os nomes citados estão o ex-ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos de Oliveira, que agora se chama Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, e o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou o cargo após a revelação do esquema.

O relator também pediu o indiciamento de ex-dirigentes do INSS, como Alessandro Stefanutto, ex-presidente do instituto, e André Fidélis, ex-diretor de Benefícios. Além disso, três parlamentares foram mencionados: o senador Weverton Rocha, do PDT; a deputada federal Gorete Pereira, do MDB; e o deputado federal Euclydes Pettersen, do Republicanos.

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O relatório ainda sugere o indiciamento de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e do empresário Maurício Camisotti, além de Daniel Vorcaro, dono do Master, suspeito de irregularidades em 250 mil contratos de empréstimos consignados. Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e a empresária Roberta Luchsinger também estão na lista, com a recomendação de prisão preventiva para Fábio Luís.

Parlamentares de partidos que apoiam o governo apresentaram um voto separado, sugerindo o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, do PL. No entanto, não há previsão para a análise desse documento.

Antes da sessão, houve troca de integrantes da CPMI para garantir fidelidade na votação. A leitura do relatório foi concluída no início da noite, e o presidente da comissão abriu espaço para debate. Caso o relatório não seja votado hoje, uma nova reunião será convocada para sábado, 28 de março, último dia da CPMI.

A defesa de Fábio Luís afirmou que a recomendação de indiciamento é eleitoral e que não há elementos que justifiquem a sugestão. A defesa de Roberta Luchsinger também negou a materialidade para o indiciamento. O senador Weverton Rocha e a deputada Gorete Pereira defenderam suas inocências, enquanto o senador Flávio Bolsonaro criticou o relatório como uma tentativa de desviar a atenção do presidente Lula.

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