Um relatório das Nações Unidas, divulgado nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, afirma que o bombardeio israelense à prisão de Evin, no Irã, em junho de 2025, configura um crime de guerra. A declaração foi feita por Sara Hossain, chefe da investigação da ONU sobre o ataque.
Hossain afirmou: “Encontramos motivos razoáveis para acreditar que, ao realizar os ataques aéreos na prisão de Evin, Israel cometeu o crime de guerra de direcionar intencionalmente ataques contra um objeto civil.” O relatório, que se baseia em entrevistas com vítimas e testemunhas, imagens de satélite e outros documentos, foi apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
O ataque resultou na morte de 80 pessoas, incluindo uma criança e oito mulheres, e atingiu áreas estratégicas da prisão durante a chamada “guerra dos doze dias”. Hossain também alertou que a repressão do regime iraniano deve aumentar em meio ao conflito entre a coalizão Estados Unidos-Israel e o Irã, que completou 17 dias.
““A principal lição aprendida com nossas investigações neste contexto é clara: a ação militar externa não fornece responsabilidade ou traz mudanças significativas. Em vez disso, corre o risco de intensificar a repressão doméstica”, disse Hossain.”
O bombardeio à prisão de Evin ocorreu durante um conflito que deixou pelo menos 638 mortos, quase 8 mil feridos, mais de 2 mil ataques e centenas de prisões. A guerra aérea começou com alegações israelenses de que o programa nuclear iraniano representava uma “ameaça existencial” ao Estado de Israel.
O conflito terminou com um cessar-fogo frágil mediado pelos Estados Unidos, que realizaram ataques contra três instalações nucleares do Irã no 12º dia de hostilidades. A prisão de Evin, fundada em 1972, é conhecida por deter presos políticos e de segurança, e tem sido alvo de denúncias de práticas violentas e tortura sistemática por organizações de direitos humanos.


