A Polícia Federal (PF) encontrou conversas entre o cantor Wesley Safadão, sua família e o deputado federal Júnior Mano (PSB) em um relatório que investiga um suposto esquema de corrupção no Ceará.
O documento aponta o envolvimento de Júnior Mano em negociações de emendas parlamentares, fraudes em licitações de prefeituras e financiamento ilegal de campanhas eleitorais. As conversas revelam que o deputado solicitou um patrocínio de R$ 200 mil a uma empresa de Safadão, logo após o artista fechar um contrato para um show na cidade de Nova Russas, onde a prefeita é sua esposa, Giordanna Mano (PRD).
Além disso, Júnior Mano discutiu apoios políticos com Yvens Watilla, irmão de Safadão, e fez um pedido ao Ministério dos Portos e Aeroportos para liberar aeronaves do cantor para uso durante sua campanha eleitoral.
““O artista segue dedicado integralmente à sua carreira musical”, afirmou Wesley Safadão em nota.”
A PF identificou 13 pessoas envolvidas no esquema, que inclui crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e captação ilícita de sufrágio. No entanto, Safadão e sua família não são investigados por esses crimes.
O relatório também menciona Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto, como responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares de Júnior Mano. Bebeto negociava uma porcentagem das emendas, que variava entre 12% e 15% do valor, e utilizava várias empresas para desviar recursos.
Em 2024, Júnior Mano pediu patrocínio à empresa de apostas de Safadão, a BetVip, para um evento em Nova Russas, pouco após a prefeitura fechar um contrato de R$ 900 mil para um show do cantor. O relatório sugere que o pedido de patrocínio poderia ser uma forma disfarçada de solicitação de propina.
O deputado também solicitou ao ministro Silvio Costa Filho a liberação de aeronaves de Safadão para uso em sua campanha. “Vou andar nesse [avião] menor nas campanhas, não aguento mais carro”, disse Júnior Mano ao ministro.
As investigações revelaram que o relacionamento entre Júnior Mano e a família de Safadão se estendeu além de interações sociais, envolvendo gestão de interesses políticos e financeiros.
A defesa de Júnior Mano afirmou que a PF não encontrou evidências relevantes contra o deputado e lamentou o vazamento de informações sigilosas. Wesley Safadão reiterou que não possui envolvimento político com as pessoas mencionadas e que o pedido de patrocínio é comum no setor de eventos.

