A Renault anunciou que pretende que metade de suas vendas de veículos ocorra fora da Europa até 2030. A estratégia, chamada futuREady, foi apresentada nesta terça-feira (10) e inclui a ampliação da presença de modelos eletrificados no portfólio da montadora.
O plano prevê a venda de 2 milhões de veículos até o fim da década, com 50% desse volume destinado a mercados fora da Europa. Fabrice Cambolive, diretor executivo da Renault, afirmou:
““A Renault pretende que 100% de suas vendas na Europa sejam de veículos eletrificados e que 50% das vendas fora da Europa também sejam eletrificadas, ao mesmo tempo em que busca entregar uma rentabilidade forte e sustentável.””
A montadora enfrenta concorrência crescente de fabricantes chinesas, como BYD e o grupo Chery, além de rivais tradicionais como a Stellantis, que controla marcas como Fiat e Jeep. No Brasil, a Renault perdeu quase metade da participação de mercado desde antes da pandemia, passando de 9% em 2019 para 5,1% atualmente, uma queda de 43% no período.
A eletrificação da linha da marca já começou no Brasil, com o lançamento do Renault Koleos, que é o primeiro modelo híbrido da fabricante, possuindo 245 cavalos de potência. O Koleos foi introduzido para competir com marcas chinesas como BYD e GWM.
De acordo com a nova estratégia, a Renault planeja lançar 36 modelos nos próximos cinco anos, sendo 14 voltados para mercados fora da Europa, um número significativamente maior em comparação aos oito lançamentos realizados no período anterior. Quatro desses modelos serão destinados ao mercado indiano, conforme revelou Fabrice Cambolive.
A produção do SUV compacto Bridger deve iniciar no próximo ano, com lançamento previsto em outros países logo em seguida. A mudança de foco para o mercado internacional reflete uma nova prioridade nas vendas fora da Europa, após a saída da empresa de diversos mercados durante a gestão do ex-presidente-executivo Luca de Meo.
François Provost, atual presidente-executivo, comentou:
““Com a Renaulution, provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar.””
Ele fez essa declaração durante uma apresentação no centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa nos arredores de Paris.
Embora a Renault esteja em uma posição mais favorável atualmente, a concorrência se intensificou. A redução dos incentivos aos veículos elétricos nos Estados Unidos, durante o governo Donald Trump, resultou em grandes perdas financeiras para alguns concorrentes, levando-os a mudar seus planos rapidamente. Michael Foundoukidis, analista da Oddo BHF, destacou que a estratégia de priorizar modelos mais rentáveis e expandir a atuação internacional é um caminho claro para preservar a lucratividade, mas o sucesso dependerá da capacidade da empresa de implementar o plano.

