Renúncia da ministra das Relações Exteriores da Groenlândia gera crise política

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, em meio a uma crise entre seu partido e o governo em Nuuk.

Motzfeldt decidiu abdicar da posição após o seu partido, o social-democrata Siumut, deixar a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen. Ela afirmou: “Como meu partido deixa a coalizão, também devo renunciar ao meu cargo”. Em seguida, completou: “Nessa situação, discordo de meu próprio partido”.

Como chefe da diplomacia groenlandesa, Motzfeldt era responsável por conduzir as negociações com Washington em conjunto com seu homólogo na Dinamarca. Após sua saída, ela expressou a esperança de que as tensões nacionais não sejam exploradas pelos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, já manifestou interesse em anexar o território.

O primeiro-ministro Nielsen declarou que assumirá temporariamente as funções de ministro das Relações Exteriores até que um novo nome seja indicado. Ele buscou promover uma ampla coalizão governista após seu partido de centro-direita, Democratas, ter obtido o maior número de votos nas eleições de março de 2025, visando compor uma frente unida para lidar com os interesses americanos.

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No entanto, uma crise envolvendo as eleições para o Parlamento da Dinamarca, onde a Groenlândia possui duas cadeiras, resultou no rompimento do Siumut com o governo. Para o partido social-democrata, duas ministras que se candidataram ao pleito de 24 de março deveriam ter se afastado durante a campanha.

Embora o rompimento não ameace a governabilidade de Nielsen, cuja coalizão mantém 19 das 31 cadeiras no Inatsisartut, o parlamento da Groenlândia, ele gera discordância em um momento crucial para Nuuk. Nielsen expressou sua decepção em uma publicação no Facebook: “Quero ser sincero e dizer que estou decepcionado. As declarações e os sinais dos Estados Unidos demonstram claramente que nos encontramos no centro de uma situação geopolítica grave. Justamente por isso era importante para mim reunir uma coalizão mais ampla possível”.

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