Reshma Saujani, fundadora da Moms First e Girls Who Code, destacou a creche como uma questão econômica essencial. Em fevereiro, ela foi reconhecida como uma das Mulheres do Ano pela TIME.
No início de janeiro, Saujani esteve ao lado da Governadora Kathy Hochul e do Prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, durante o anúncio de um plano de R$ 1,7 bilhão para oferecer cuidados universais a crianças menores de 5 anos. Um ano antes, ela questionou o então Presidente Donald Trump sobre a acessibilidade da creche em um evento do Economic Club of New York, gerando grande repercussão.
Em entrevista à TIME, Saujani refletiu sobre seu percurso, que começou com sua campanha ao Congresso em 2010. Ela mencionou que seus pais foram refugiados de Uganda e como essa experiência moldou seu desejo de retribuir ao país que salvou suas vidas. “Crescer em uma família onde tudo pode ser tirado de você em um segundo me fez querer dar algo de volta”, afirmou.
Saujani também abordou a desigualdade de gênero na tecnologia, destacando que, ao visitar uma igreja em Queensbridge e uma escola na Upper East Side, percebeu a falta de meninas em ambientes tecnológicos. “Todas as meninas, independentemente da raça ou status socioeconômico, estão sendo deixadas para trás”, disse.
Ela enfatizou que a fundação Girls Who Code surgiu como resposta a essa lacuna, e que, mesmo com a ascensão da inteligência artificial, os desafios permanecem. “A utilização de ferramentas de IA ainda apresenta uma desigualdade de gênero semelhante à que existia na programação”, afirmou.
Durante a conversa, Saujani também falou sobre a necessidade de coragem entre as mulheres, especialmente em campos dominados por homens. “Temos um grande déficit de bravura. Agir com coragem é assustador”, comentou, refletindo sobre suas experiências ao falar a verdade ao poder.
Ela concluiu ressaltando que a creche acessível é fundamental para o progresso das mulheres. “Uma vez que você torna a creche acessível, você dá às mulheres liberdade e escolha para se moverem entre o trabalho e o lar”, disse. Saujani defendeu que a visão tradicional do trabalho não remunerado precisa mudar, reconhecendo-o como uma questão econômica e não apenas pessoal.

