Durante o julgamento da morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, no júri popular nesta sexta-feira (6), o réu Cezar Daniel Mondego afirmou que passou a seguir a vítima após ser contratado por um suposto marido traído. Segundo Mondego, Crespo estaria mantendo um relacionamento com uma mulher casada.
O promotor Bruno Faria, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do Ministério Público, relatou que o acusado disse em depoimento ter sido procurado por um homem identificado apenas como Márcio. “Questionado ontem, ele disse que o nome do contratante era Márcio. O sobrenome: ‘Não sei’. O telefone: ‘Não tenho porque apaguei ele’. Não basta matar, ainda tem que macular a memória da vítima”, declarou o promotor.
No entanto, a motivação do crime, segundo a acusação, seria outra. O Ministério Público sustenta que Crespo foi executado devido ao seu interesse em entrar no mercado de apostas esportivas e abrir uma casa de apostas em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O promotor destacou que a região estava passando por uma disputa de influência relacionada ao jogo do bicho.
Até o início de 2023, a área era controlada por Bernardo Bello, ligado à família Garcia, mas teria passado para o domínio do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. “Ele (Crespo) queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, afirmou o promotor.
Antes do assassinato, sócios de Rodrigo o alertaram sobre os riscos de abrir uma casa de apostas. “Qualquer jogo explorado no RJ tem dono”, avisou um dos parceiros. As conversas foram apresentadas no júri popular, que começou na quinta-feira (5) e foi interrompido no fim da noite. A sessão foi retomada às 10h20 desta sexta (6), com o debate entre o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e as defesas dos réus.
O promotor Bruno Faria ressaltou: “Aqui estamos tratando de comércio ilegal de cigarro, jogo do bicho. Eles matam quem tiver que ser”. Ele também destacou que Rodrigo era um jovem de 42 anos, com uma vida inteira pela frente, que nunca se envolveu em atividades criminosas.
O MPRJ considera que as provas são cabais e irrefutáveis contra os réus. “Eles participaram das ações necessárias para que Rodrigo Marinho Crespo fosse assassinado”, afirmou o promotor.
Os réus no julgamento são: Leandro Machado da Silva, o Cara de Pedra, policial militar que, segundo as investigações, providenciou os carros usados no crime; Cezar Daniel Mondego de Souza, o Russo, apontado como responsável por monitorar a vítima; e Eduardo Sobreira de Moraes, indicado pela polícia como responsável por seguir os passos de Rodrigo, dirigindo o carro para Cezar enquanto acompanhavam a movimentação da vítima antes do assassinato.
Os três se tornaram réus em abril de 2024, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita. Leandro, que é PM, foi afastado do cargo. As investigações indicam que os réus se encontraram antes e depois do crime, inclusive perto do batalhão onde Leandro trabalhava. As investigações da DH da Capital revelam que os criminosos já estavam atrás de Rodrigo desde o dia 5 de outubro de 2023, quando anotações com as placas dos veículos de Crespo foram encontradas nos celulares de um dos investigados, no dia em que ele foi a uma festa em Ipanema.
O atirador que atingiu Rodrigo pelas costas ainda não foi identificado pelos investigadores.

