Os três homens acusados de assassinar o advogado Rodrigo Marinho Crespo em 2024, na Avenida Marechal Câmara, próximo à sede da OAB no Centro do Rio, começaram a ser julgados pelo Tribunal do Júri da Capital nesta quinta-feira, 5.
Os réus respondem na Justiça por homicídio qualificado. Os suspeitos são Leandro Machado da Silva, conhecido como “Cara de Pedra”, apontado como responsável por fornecer os carros usados no crime; Cezar Daniel Mondego de Souza, o “Russo”, encarregado de seguir cada passo do advogado; e Eduardo Sobreira de Moraes, motorista do veículo utilizado para monitorar a vítima no dia do crime.
Os três viraram réus ainda em 2024, dois meses após o assassinato, que ocorreu em fevereiro daquele ano. Segundo as investigações, o grupo se encontrou antes e depois do crime. Leandro era policial militar na época e os três se reuniram perto do batalhão onde ele trabalhava. O agente foi afastado do cargo assim que se tornou réu no processo.
Anotações com as placas dos veículos da vítima foram encontradas no celular de um dos investigados, revelando que os criminosos já monitoravam Rodrigo desde outubro de 2023. O autor do disparo que matou o advogado ainda não foi identificado.
A hipótese do Ministério Público do Rio é que a atuação profissional de Rodrigo estivesse atrapalhando os interesses de uma organização criminosa que atuava na exploração de jogos de apostas on-line. Em vida, Crespo demonstrou interesse em investir em negócios ligados ao setor, pensando em abrir um estabelecimento conhecido como “Sporting Bar”, onde as pessoas poderiam assistir a eventos esportivos e realizar apostas.
Máquinas eletrônicas conectadas à internet, semelhantes a caça-níqueis, também estariam presentes no ambiente. A denúncia apresentada pelo Ministério Público indica que o homicídio teria ocorrido para garantir a execução ou vantagem de outros crimes, praticados por uma facção criminosa com foco em jogos de apostas on-line.
Na primeira sessão do julgamento, vinte testemunhas serão ouvidas. A previsão é que a sentença seja dada na sexta-feira, 6. A primeira a falar foi a namorada de Rodrigo na época, Isadora Strapazzon, que deu seu depoimento por videoconferência. Durante sua fala, ao ser questionada sobre o envolvimento da vítima com as apostas, ela respondeu que ele tinha vontade de legalizar os jogos de apostas on-line no Brasil.
O delegado Rômulo Assis, responsável pelas investigações, afirmou que o veículo utilizado no assassinato pertencia a uma locadora ligada a Adilson Oliveira Coutinho filho, o “Adilsinho”, bicheiro preso em uma mansão em Cabo Frio no fim de fevereiro deste ano. Segundo Assis, a autoria intelectual do crime ainda é investigada.

