Riscos de importar medicamentos para obesidade do Paraguai

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alertas sobre os riscos de importar e utilizar canetas injetáveis para tratamento de obesidade, como o “Mounjaro do Paraguai” e a retatrutida, substância ainda em estudo e sem autorização para uso.

Desde o ano passado, a Anvisa tem realizado proibições relacionadas a esses produtos, que são comercializados de forma indevida e muitas vezes por empresas desconhecidas. Em novembro de 2025, a agência publicou resoluções que proíbem a importação, distribuição, comercialização, fabricação, propaganda e uso de medicamentos à base de agonistas do GLP-1 que não possuem registro no Brasil.

No início de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de produtos não registrados e divulgou uma lista com nomes e dosagens das canetas, incluindo Lipoless MD 15mg, Retatrutide 40mg e Tirzec 15mg.

A busca por essas canetas paraguaias está ligada ao desejo de emagrecimento rápido e ao preço atrativo, que varia de 25% a 44% do valor do medicamento original.

Os produtos sem registro e procedência desconhecida apresentam riscos à saúde, pois não passam pela análise da Anvisa, o que compromete a segurança e eficácia. Além disso, há o risco de contaminação e a possibilidade de conter substâncias inadequadas ou em quantidades incorretas.

““De acordo com órgãos regulatórios internacionais, produtos falsificados ‘podem conter ingredientes errados, conter quantidade excessiva, insuficiente ou nenhuma substância ativa, ou ainda conter outros ingredientes nocivos’”, afirmou a farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro.”

A retatrutida, que ainda está em fase de testes, foi apresentada irregularmente por um laboratório paraguaio em um evento com celebridades e influenciadores brasileiros. O professor de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Hohl, destacou que os ritos científicos precisam ser seguidos antes da liberação de um medicamento.

““É uma medicação em estudo de fase 3 com uma grande probabilidade de ajudar pessoas com obesidade, diabetes e doença hepática metabólica, mas, para isso se concretizar, os estudos precisam ser finalizados”, explicou Hohl.”

Ele também ressaltou a necessidade de medidas para coibir a comercialização desses produtos. “Quando uma medicação que está sendo estudada começa a ser utilizada e vendida sem informações adequadas, é um caos sanitário”, alertou.

Os agonistas do GLP-1 aprovados, como a semaglutida e a tirzepatida, devem ser utilizados apenas com indicação médica e, conforme determinação da Anvisa, são vendidos com retenção de receita médica.

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