Um robô chamado Titi está ajudando crianças do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental a aprender matemática de forma lúdica. O projeto, desenvolvido pela startup Cognology, busca gamificar o ensino, especialmente em um cenário onde apenas 51% dos alunos da rede pública apresentam aprendizado adequado na disciplina, segundo o Saeb de 2021.
Titi é integrado a um aplicativo para tablets que oferece jogos alinhados à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Os professores podem selecionar habilidades matemáticas específicas e jogos correspondentes. “A finalidade do robô é transformar o abstrato em concreto”, afirma a pesquisadora Débora Regina Ito, idealizadora do projeto.
As atividades são realizadas em grupos de três, promovendo o trabalho colaborativo e alternando entre jogos competitivos e cooperativos. Um dos jogos utiliza uma régua virtual, onde os alunos lançam um dado digital e movem o robô físico para realizar operações de soma ou subtração. O Titi também se movimenta em um mapa exibido no tablet, tornando os resultados das operações visíveis.
Atualmente, na sua terceira versão de software, o robô ajuda educadores a identificar lacunas de aprendizagem. “As crianças manifestam as dificuldades mais facilmente e falam mais livremente sobre dúvidas”, conta Ito. O sistema gera relatórios que indicam quais alunos precisam de atenção especial, permitindo intervenções pedagógicas personalizadas.
A BNCC recomenda o uso de recursos como ábacos e jogos para auxiliar na compreensão da matemática. O Titi se encaixa nessa categoria ao materializar conceitos. “Quando o robô chega à sala, as crianças passam a se dedicar totalmente a ele”, descreve a pesquisadora.
Inicialmente, o Titi utilizava tapetes físicos, mas a equipe migrou para a integração com tablets devido a legislações que restringiram o uso de smartphones em sala de aula. Essa mudança reduziu custos de produção e aumentou a versatilidade da ferramenta. Embora o robô tenha sido desenvolvido com foco na rede pública, atualmente está disponível apenas em instituições privadas. “Ainda não conseguimos entrar na escola pública”, lamenta a empreendedora.
A estratégia atual é consolidar o produto no setor privado antes de buscar processos licitatórios nas secretarias de educação. “Acreditamos que, se a tecnologia é incluída na vida das crianças como brincadeira, elas estarão preparadas para aprender algo maior depois”, explica a pesquisadora.
A startup está incubada no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos e recebeu apoio do programa Centelha, da Finep, operacionalizado pela Fapesp em São Paulo. O robô, que inicialmente se chamava Teachbot, foi renomeado para Titi após sugestões de professores, que consideraram o nome original difícil para o público infantil.

