O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem concentrado esforços em uma agenda contra o Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo-se diretamente em um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes que está sendo apresentado em Brasília.
Segundo análise de Pedro Venceslau, essa movimentação é parte de uma estratégia calculada para ocupar um espaço que ficou “aberto” no espectro político após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotar uma postura mais moderada em relação à Corte. “A questão do STF é uma bandeira que faz parte do arsenal de narrativas bolsonaristas desde que o bolsonarismo começou a pressionar durante o julgamento de Jair Bolsonaro”, explica Venceslau.
Historicamente, essa pauta mobilizou manifestações de rua em várias capitais brasileiras contra o Supremo e orientou a estratégia do PL de eleger o maior número possível de senadores para formar uma maioria capaz de aprovar pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O momento é considerado oportuno para Zema assumir essa bandeira, já que o Supremo passa por um período de desgaste junto à opinião pública após notícias envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. “O Supremo, que estava unido e em paz com a opinião pública durante o julgamento dos envolvidos no 8 de janeiro, agora passa por um momento bastante delicado”, avalia Venceslau.
A análise indica que, entre os governadores com ambições presidenciais, Zema tem sido o mais vocal contra o STF. Enquanto outros potenciais candidatos como Ratinho Júnior (PSD) ou Eduardo Leite (PSD) não abordam tanto esse tema, o governador mineiro se aproxima mais do discurso de Ronaldo Caiado (PSD), também crítico à Corte.
“Quando ele vai para Brasília participar de um ato junto da bancada do Partido Novo, questionando o Supremo Tribunal Federal, ele está deixando uma marca e fazendo um gesto para o bolsonarismo raiz”, analisa Venceslau, destacando que a indignação com o STF atualmente extrapola o núcleo bolsonarista e alcança setores mais amplos da sociedade.
Ao aparecer na linha de frente dessa pauta, Zema reforça seu posicionamento como opositor ao que seus apoiadores chamam de “abusos do Supremo Tribunal Federal”, tentando se credenciar como um nome forte para representar a direita nas eleições de 2026.


