O Kremlin condenou nesta quarta-feira (18) os ataques aéreos dos EUA e de Israel, que resultaram na morte de líderes iranianos, classificando-os como um “assassinato”. A declaração ocorreu um dia após o Irã confirmar a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança iraniano, em Teerã. Larijani era um conselheiro próximo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que também foi morto durante o conflito.
“Condenamos inequivocamente quaisquer ações que visem prejudicar a saúde, ou mesmo assassinar ou eliminar, membros da liderança do Irã soberano e independente, bem como os de outros países. Condenamos tais ações”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em coletiva de imprensa.
A Rússia, que construiu e ajuda a gerir a única central nuclear do Irã, criticou fortemente os ataques aéreos e pediu um cessar-fogo imediato. O Wall Street Journal informou que a Rússia tem aumentado o fornecimento de dados de inteligência e a cooperação militar com Teerã, incluindo imagens de satélite e tecnologia de drones.
Questionado sobre a reportagem, Peskov negou as informações, afirmando que “existem atualmente muitos relatos diferentes circulando sobre esta guerra” e que a maioria é desinformação. Ele acrescentou que representantes dos EUA afirmaram não ter informações sobre o assunto.
O conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Desde então, diversas autoridades do regime iraniano foram mortas, e os EUA alegam ter destruído dezenas de navios e alvos militares iranianos.
Em retaliação, o regime iraniano atacou países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia, afirmando que seus alvos são apenas interesses dos EUA e Israel. Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos.
A Casa Branca registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em ataques iranianos. O conflito também se expandiu para o Líbano, onde o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou Israel, resultando em ofensivas aéreas israelenses contra alvos do Hezbollah.
Após a morte de grande parte de sua liderança, o Irã elegeu um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas indicam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão. Donald Trump criticou essa escolha, classificando-a como um “grande erro” e afirmando que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.


