O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta sexta-feira, 6, que a intenção da Finlândia de suspender uma lei que proíbe a hospedagem de armas nucleares em seu território representa uma ameaça potencial para a Rússia.
Peskov declarou que Moscou reagiria caso armas nucleares fossem implantadas na Finlândia, que possui uma fronteira de 1.300 quilômetros com a Rússia. Ele afirmou: “Esta declaração aumenta a vulnerabilidade da Finlândia, uma vulnerabilidade provocada pelas ações das autoridades finlandesas. O fato é que, ao implantar armas nucleares em seu território, a Finlândia está começando a nos ameaçar. E se a Finlândia nos ameaçar, tomamos medidas apropriadas.”
A declaração do Kremlin ocorreu após o governo do primeiro-ministro Petteri Orpo anunciar na quinta-feira, 5, que planeja se alinhar aos vizinhos nórdicos e permitir a implantação de bombas atômicas em solo finlandês em tempos de guerra.
O ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, comentou: “A emenda é necessária para permitir a defesa militar da Finlândia como parte da aliança e para aproveitar ao máximo a dissuasão e a defesa coletiva da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).”
A Finlândia, que se manteve neutra durante a Guerra Fria, passou a integrar a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos em 2023, após a invasão russa da Ucrânia, seguida pela Suécia.
Aprovada em 1987 pelo Parlamento finlandês, a Lei de Energia Nuclear proíbe a importação, fabricação, posse e detonação de explosivos nucleares no país. Parte da população acredita que essa restrição poderia beneficiar apenas a Rússia em um eventual conflito.
Os vizinhos Suécia, Dinamarca e Noruega mantêm políticas históricas contrárias à presença de armas nucleares em seus territórios em tempos de paz, mas não possuem proibições previstas em lei para situações de guerra.

