Ruth Manus critica frases comuns sobre mulheres em entrevista

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A escritora e palestrante Ruth Manus, 37 anos, abordou em entrevista algumas frases que são frequentemente ditas a mulheres, as quais, segundo ela, não fazem mais sentido atualmente. A conversa ocorreu em proximidade com o Dia Internacional da Mulher.

Ruth afirmou que “quase toda frase sobre mulher já começa errada”. Ela explicou: “Acho que quase toda a frase que a gente fala sobre mulheres, assumindo que todas as mulheres são iguais, então, tratando a mulher no singular e não as mulheres no plural, assumindo que elas têm escolhas diversas, situações de vida diversa, histórias diversas, acho que já começa errado”.

A palestrante mencionou algumas citações comuns, como parabenizar uma mulher que emagreceu ou dizer que uma mulher está envelhecendo bem, afirmando que isso pressupõe que a mulher deseja emagrecer ou parecer mais jovem. “Nesse caso, a gente está presumindo coisas sobre imagem: que ela quer emagrecer, que ela quer ser jovem e que uma mulher que envelhece naturalmente não pode ser bonita”, destacou.

Ruth também comentou sobre invasões relacionadas à maternidade, como: “Nossa, mas você tem essa idade e não quer ter filho?” e “Nossa, mas você não vai ter outro filho? Vai deixar o seu filho ser filho único?”. Ela considerou essas perguntas como invasões que, embora pareçam naturais, são graves.

Além disso, a escritora ressaltou que esse tipo de discurso se estende ao mercado de trabalho, com frases como: “Nossa, mas chegou a fulana para deixar a nossa reunião mais bonita” ou “Com uma mulher bonita como você, é claro que o cliente vai querer fechar negócio”. Ruth enfatizou que, apesar de estarem “travestidas de elogio”, essas frases são redutoras em relação à capacidade das mulheres.

Questionada sobre o que mudou na percepção da sociedade em relação ao papel da mulher, Ruth afirmou que as mulheres estão, gradualmente, mudando a forma como se veem. “Então a gente se pergunta coisas: ‘Será que eu quero ter filho?’, ‘Será que eu quero essa carreira?’, ‘Será que eu quero essa relação?’, ‘Será que eu quero me relacionar com homens?’”, disse.

Ela concluiu que essas perguntas não têm respostas fáceis e que a sociedade ainda não está preparada para aceitar respostas plurais. “Estamos falando de mulheres, tentando a duras penas evoluir e progredir, e uma sociedade que não só não está preparada, como está muito resistente a isso”, finalizou.

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