O SBT se manifestou sobre as falas consideradas transfóbicas do apresentador Ratinho. A emissora afirmou: “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”
As declarações de Ratinho ocorreram na noite de quarta-feira, 11, após a deputada Érika Hilton ser eleita para presidir a Comissão da Mulher na Câmara. Ao comentar sobre o cargo da parlamentar, Ratinho disse que Hilton “não é uma mulher”. Ele afirmou: “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher.”
Ratinho continuou seu discurso, afirmando que não tem nada “contra trans”, mas invalidou a identidade de Hilton. “Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disse ele, acrescentando que não achou justo a escolha de Hilton para a presidência da comissão.
Em outro momento, Ratinho reiterou que não tem nada contra a deputada, mas questionou novamente o gênero dela. “Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.
A deputada Érika Hilton (Psol-SP) protocolou um processo contra Ratinho no Ministério Público, após as falas consideradas transfóbicas. A ação pede a investigação do apresentador e do SBT, alegando que Ratinho ultrapassou os limites do ataque individual e ofendeu mulheres trans ao negar a identidade de gênero da parlamentar.
O documento também solicita a abertura de uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, destinada a projetos e organizações que defendem os direitos de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência. Além disso, pede que Ratinho e a emissora sejam obrigados a veicular uma retratação pública sobre o conteúdo transmitido em horário nobre. A deputada Duda Salabert também acionou o MP contra o apresentador do SBT.


