Seguradoras oferecem cobertura para erros de inteligência artificial

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Seguradoras começaram a oferecer cobertura para erros de inteligência artificial, conforme reportagem da agência France Press divulgada nesta segunda-feira (16). A tecnologia, apesar de sua crescente autonomia, ainda está sujeita a erros.

As apólices específicas cobrem erros como decisões equivocadas e as chamadas “alucinações”, que ocorrem quando a tecnologia apresenta informações falsas com alto grau de confiança. Tradicionalmente, os seguros são desenhados para cobrir falhas humanas, não decisões tomadas por máquinas.

Empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas mais autônomos têm buscado coberturas adicionais. Phil Dawson, responsável por IA na seguradora Armilla, afirmou: “A finalidade destas ferramentas avançadas de IA é prescindir da assistência e da supervisão humanas na tomada de decisões, o que questiona parte da lógica fundamental da cobertura de seguros existente”.

Até recentemente, os riscos da IA eram cobertos de forma implícita em apólices tradicionais, em um modelo chamado de “cobertura silenciosa”. Segundo análise de Sonal Madhok e Anat Lior, publicada em 2025 pela corretora Willis Towers Watson, essa situação lembra os primeiros anos da criminalidade cibernética, quando os riscos ainda não eram claramente definidos.

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Nos últimos meses, o setor passou de uma postura cautelosa para uma abordagem mais ativa. Jonathan Mitchell, da corretora Founder Shield, destacou que muitas apólices padrão passaram a incluir cláusulas de “exclusão absoluta da IA”, retirando esse tipo de risco da cobertura tradicional.

Seguradoras como a Chubb têm solicitado a reguladores dos Estados Unidos autorização para excluir formalmente responsabilidades ligadas à IA de seus contratos. Com isso, cresce a oferta de seguros específicos para IA, como o seguro de erros e omissões (E&O), adaptado para incluir falhas de inteligência artificial.

Esse tipo de apólice pode cobrir decisões erradas tomadas por sistemas automatizados, prejuízos financeiros causados por “alucinações” e danos no mundo real, como compras excessivas feitas por um agente virtual. Um exemplo citado por Dawson envolve uma imobiliária que buscou proteger seu agente de IA como se fosse um funcionário, contratando uma apólice específica para a tecnologia.

Antes de conceder cobertura, seguradoras realizam avaliações detalhadas dos sistemas de IA. A Armilla, por exemplo, realiza testes para identificar vulnerabilidades e analisa a gestão de riscos da empresa, além da adesão a normas nacionais e internacionais. No entanto, algumas áreas ficam de fora, como aplicações relacionadas a diagnósticos médicos ou saúde mental.

O mercado de seguros para IA está em expansão, com principais clientes sendo empresas de tecnologia e setores como agricultura, indústria e energia. Michael von Gablenz, da Munich Re, comparou o potencial do mercado ao da cibersegurança, ressaltando que os riscos não devem desaparecer. De acordo com a consultoria Deloitte, o mercado global de seguros para IA pode movimentar até US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) até 2032.

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