Ad imageAd image

Seis jogadoras da seleção feminina do Irã recebem asilo na Austrália

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A seleção feminina de futebol do Irã deixou a Austrália sem seis de suas integrantes, após protestos do lado de fora do Aeroporto de Sydney, nesta quarta-feira (11).

O governo australiano reforçou a oferta de asilo dentro do terminal de embarque, antes da partida. À medida que o horário do voo se aproximava, cada uma delas foi levada à parte para se reunir sozinha com autoridades que explicaram, por meio de intérpretes, que elas poderiam optar por não retornar ao Irã.

Sete outras mulheres haviam aceitado anteriormente vistos humanitários que lhes permitem permanecer permanentemente na Austrália. Porém, uma das atletas mudou de ideia e decidiu voltar para casa. “Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia”, disse o Ministro do Interior australiano, Tony Burke.

Horas antes, ele havia postado fotos das sete mulheres que receberam vistos humanitários em suas redes sociais. “Infelizmente, ao tomar essa decisão, ela foi aconselhada por suas colegas e pelo técnico a entrar em contato com a embaixada iraniana e ser buscada”, afirmou Burke.

O ministro também comentou que as seis mulheres restantes na Austrália foram imediatamente transferidas para um local diferente por razões de segurança. Ele prometeu que elas não precisarão enfrentar uma batalha legal por residência permanente e receberão apoio em saúde, moradia e outros auxílios na Austrália.

Alguns membros da delegação, que segundo autoridades tinham conexões com a Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, não receberam ofertas de visto. “Havia algumas pessoas deixando a Austrália das quais estou feliz que não estejam mais na Austrália”, disse Burke.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) confirmou que a equipe viajou de Sydney para Kuala Lumpur, na Malásia. “A AFC fornecerá todo o apoio necessário à equipe durante sua estadia até que seus arranjos de viagem subsequentes sejam confirmados”, informou o órgão.

O governo do Irã classificou a equipe como “traidora em tempos de guerra” após as jogadoras se recusarem a cantar o hino do país antes de uma das partidas da Copa da Ásia, que está ocorrendo na Austrália. A seleção iraniana chegou à Austrália para a competição no mês passado, antes do início da guerra com o Irã.

O destino das mulheres capturou a atenção internacional enquanto grupos de irano-australianos alertavam que elas poderiam enfrentar consequências terríveis do governo teocrático do Irã por não cantarem o hino. O presidente dos EUA, Donald Trump, interveio no assunto, criticando o governo australiano por não oferecer asilo às mulheres.

Por outro lado, uma autoridade iraniana rejeitou as sugestões de que as mulheres não estariam seguras ao voltar para casa. “O Irã recebe seus filhos de braços abertos e o governo garante sua segurança”, disse o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref.

Compartilhe esta notícia