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Seis policiais militares são presos por forjar apreensão de drogas no RJ

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu seis policiais militares na Operação Contenção Red Legacy, realizada nesta quarta-feira, 11 de março de 2026. A investigação revelou que os agentes forjaram uma apreensão de drogas na Zona Norte do Rio após um acordo com a cúpula do Comando Vermelho (CV).

De acordo com o inquérito da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), o major Hélio da Costa Silva, então comandante da 13ª UPP/16º BPM (Penha), contatou Washington Cesar Braga da Silva, conhecido como Grande, em 13 de março de 2025. Grande é apontado como braço direito do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos líderes do CV.

O major solicitou, por telefone, o fornecimento de entorpecentes para simular uma ocorrência policial, justificando que a Coordenação de Polícia Pacificadora (CPP) havia cobrado metas de produtividade. A polícia afirma que Doca autorizou a entrega de 70 quilos de maconha, que já estariam separados para essa finalidade, e orientou Grande a buscar a droga com um comparsa conhecido como Deu.

A falsa apreensão ocorreu em 19 de março de 2025, na Rua Iracema 259, na Penha, a cerca de 500 metros da sede da UPP. O tráfico utilizou um veículo Tiggo, roubado em 30 de janeiro de 2025, em Duque de Caxias, que foi abandonado no local combinado com as drogas e um simulacro de fuzil AR-15 desmontado.

Os sargentos Rodrigo Paiva Lopes e Thiago Monteiro Gomes Marcelino relataram, em registro na 22ª DP, que estavam em patrulhamento quando foram alvos de disparos de criminosos. Eles afirmaram ter revidado com cerca de 20 disparos de fuzil calibre 7,62 mm, e que os suspeitos fugiram, abandonando o veículo com o material. A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio.

A versão apresentada pelos policiais não se sustentou diante das provas reunidas. Após a apreensão, Grande enviou a Doca um vídeo mostrando os policiais exibindo a droga e o fuzil desmontado, informando que o major havia “agradecido”. Um laudo pericial confirmou que a quantidade de droga apreendida — mais de 60 quilos de maconha e 2 quilos de cocaína — era compatível com o volume autorizado por Doca.

A investigação apontou que os policiais não preservaram o local para perícia, e o veículo foi liberado como recuperado, o que pode ter evitado a realização de exames papiloscópicos. O episódio fazia parte de um esquema para forjar legalidade e simular eficiência operacional. Em troca do fornecimento de drogas, os agentes públicos assegurariam tolerância e proteção às atividades do Comando Vermelho na Vila Cruzeiro.

Os envolvidos foram indiciados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção passiva e fraude processual. As defesas dos citados não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem. Os PMs presos são: Hélio da Costa Silva (major), Leandro Oliveira Loiola, Reuel de Almeida Silva Fernandes (capitão), Rodrigo Paiva Lopes, Thiago Monteiro Gomes Marcelino e Thomás dos Santos Machado.

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