O setor de biodiesel declarou que possui capacidade instalada para aumentar imediatamente a mistura do biocombustível ao diesel fóssil para 16% (B16). A afirmação foi feita pela AliançaBiodiesel, composta pela ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e APROBIO (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), após o MME (Ministério de Minas e Energia) descartar a autorização para o aumento da mistura sem testes técnicos para níveis superiores ao atual B15.
As entidades afirmam que a indústria brasileira tem estrutura suficiente para suportar uma mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel mineral. Em um cenário internacional de restrição na oferta de diesel, o setor pede que o governo acelere os testes anunciados pelo MME para avaliar níveis mais altos do biocombustível.
Jerônimo Goergen, presidente da APROBIO, afirmou que não existem obstáculos técnicos para a realização dos testes e solicitou maior agilidade no processo. Ele destacou que o cronograma inicial previa a adoção da mistura B16 já em março de 2026. “O setor está disponível inclusive para ajudar a financiar os custos da testagem, já que temos interesse no aumento da mistura”, disse Goergen.
Ele também ressaltou que, diante do atual cenário internacional, aumentar a participação do biodiesel pode beneficiar a economia brasileira. André Nassar, presidente-executivo da ABIOVE, enfatizou que a cadeia produtiva está pronta para a mudança e que a indústria pode viabilizar rapidamente os testes necessários para garantir a segurança do aumento da mistura.
“Nossa prioridade é colaborar com avaliações céleres que permitam a expansão do biodiesel ainda este ano, trazendo previsibilidade para toda a cadeia automotiva e de combustíveis”, afirmou Nassar. O avanço da mistura de biodiesel está previsto na Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que estabelece a elevação da mistura para 16% em março de 2026, com um cronograma de aumento gradual de 1 ponto percentual ao ano, visando alcançar B20 até 2030.
A FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel) expressou preocupação com a Medida Provisória nº 1.340/2026, que cria uma subvenção econômica para o diesel rodoviário comercializado por produtores e importadores, sob a supervisão da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A MP também institui um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto.
A frente parlamentar argumenta que a medida prioriza o apoio a um combustível importado e fóssil, em vez de incentivar alternativas renováveis produzidas no Brasil. Segundo o grupo, essa política não resolve a dependência do país em relação ao diesel mineral. Em uma manifestação conjunta, 43 entidades do agronegócio e da agroindústria defenderam a adoção imediata da mistura B17, afirmando que isso poderia fortalecer a produção nacional de biodiesel e ajudar a conter a pressão sobre os preços dos combustíveis.
As entidades também destacaram que a indústria opera atualmente com cerca de 50% de ociosidade, o que permitiria aumentar a produção sem risco de desabastecimento. Além disso, o setor ressaltou que a Constituição prevê um regime fiscal favorecido para os biocombustíveis, com tributação inferior à dos combustíveis fósseis, como forma de incentivar a transição energética. Nesse contexto, representantes da cadeia do biodiesel consideram que o subsídio ao diesel mineral contraria essa diretriz e pode comprometer o avanço das fontes renováveis no país.


