O Setor Jaó, um dos bairros mais tradicionais de Goiânia, foi planejado e construído por prisioneiros de guerra da Alemanha nazista, conforme afirma o advogado especialista em direito imobiliário Arthur Rios.
Localizado na região norte da capital, o bairro foi estruturado na antiga Fazenda Retiro, às margens do Rio Meia Ponte e do Córrego Jaó. Rios, que representou moradores do Jaó na Justiça, destacou que a planta do bairro foi assinada pelo engenheiro Tristão Pereira da Fonseca, uma vez que os construtores alemães não possuíam cadastro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
Uma pesquisa realizada pela arquiteta Mariana Vieira em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) revela que, durante o governo de Coimbra Bueno, foi feito um acordo com o governo inglês para que cerca de 50 prisioneiros alemães chegassem a Goiânia em 1950. Inicialmente, a ideia era que eles ficassem na antiga casa de prisão estadual, mas para evitar repercussão na imprensa, os prisioneiros e suas famílias foram levados para acampamentos improvisados na Fazenda Retiro.
O então governador de Goiás designou o engenheiro Tristão da Fonseca para receber os prisioneiros e ficar responsável pelo projeto do novo bairro, que foi oficialmente aprovado em 1952. O principal autor do projeto foi um alemão chamado Sonenberg, que seguiu padrões urbanísticos alemães anteriores à Segunda Guerra Mundial.
O surgimento do bairro ocorreu em um período de rápido crescimento de Goiânia, que necessitava de expansão. O projeto do loteamento priorizava áreas verdes, ruas curvas e lotes grandes, focando em moradias. A entrega do loteamento incluiu uma infraestrutura básica e promessas de crescimento.
Atraindo mais moradores a partir da década de 1960, especialmente famílias em busca de um lugar tranquilo, o bairro começou a se desenvolver com a construção do Clube de Regatas Jaó.
A doutora em Arquitetura e Urbanismo e professora da PUC Goiás, Sandra Catharinne, explicou que há registros do projeto original do Bairro Jaó que indicam a participação de profissionais estrangeiros na sua concepção e construção. Documentos mostram que imigrantes europeus, incluindo alemães e poloneses, estiveram envolvidos nesse processo.
Atualmente, Sandra desenvolve um estudo com alunos de iniciação científica para reunir mais informações sobre esses profissionais. A pesquisa busca mapear documentos e entender a atuação desses imigrantes, não apenas no Bairro Jaó, mas também no Departamento de Obras do estado durante a construção de Goiânia.
Para identificar possíveis descendentes, seria necessário realizar um rastreamento genealógico, o que ainda não foi feito. Além disso, alguns imigrantes adaptaram seus sobrenomes ao chegarem ao Brasil, o que pode dificultar essa busca.


