Setor privado brasileiro busca agregar valor a minerais críticos com investimento internacional

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Representantes de mineradoras com projetos de minerais críticos no Brasil demonstraram interesse em avançar em etapas de agregação de valor no país. As discussões ocorreram durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), maior evento de mineração do mundo, realizado em Toronto.

O setor apresentou um portfólio de 35 oportunidades de investimento em projetos minerais no Brasil, com um potencial estimado de US$ 5,5 bilhões, o que corresponde a cerca de R$ 28,5 bilhões na cotação atual.

Pelo menos oito dessas iniciativas incluem investimentos em capacidades industriais de processamento de minerais críticos, como terras raras e grafite. Embora ainda não representem as etapas mais avançadas da cadeia produtiva, essas fases industriais são dominadas por poucos países, à exceção da China.

Um dos projetos que tem despertado atenção é o da Meteoric Resources, mineradora australiana responsável pelo Projeto Caldeira, em Minas Gerais. A empresa já opera uma planta-piloto no estado e produz, em escala de testes, o carbonato misto de terras raras, um produto intermediário obtido após o processamento químico do minério.

A Meteoric enviou uma amostra desse material para o MagBras, iniciativa nacional voltada ao desenvolvimento da cadeia produtiva de ímãs de terras raras no Brasil, que reúne instituições como o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e conta com apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O material será usado em uma planta de demonstração para a produção de ímãs permanentes.

A empresa também apresentou oportunidades de investimento ligadas à construção de uma planta industrial de processamento baseada no método de lavagem com sulfato de amônio em circuito fechado, sistema que permite reutilizar os reagentes e a água ao longo do processo, reduzindo o consumo de insumos e os impactos ambientais.

Outra empresa que buscou investidores foi a australiana St George Mining, responsável pelo Projeto Araxá, em Minas Gerais, que combina mineralizações de nióbio e terras raras. Em 2025, a companhia anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais) para o processamento desses minerais.

Executivos do setor ressaltam que a agregação de valor depende de políticas públicas capazes de reduzir riscos e aumentar a competitividade dos projetos. A CBL (Companhia Brasileira de Lítio) já opera no país uma refinaria capaz de produzir compostos de lítio com grau de pureza de até 99,5%, utilizados na fabricação de baterias.

Representantes do setor defendem que, se o governo brasileiro quiser avançar na industrialização desses minerais, será necessário tratar o tema como uma estratégia de Estado, à semelhança do que já fazem países como Austrália e Estados Unidos, que adotam incentivos fiscais, financiamento público e políticas industriais voltadas aos minerais críticos.

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