Sobrecarga no sistema elétrico brasileiro leva ao desligamento de usinas solares

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A superoferta de energia solar tem causado sobrecarga no sistema elétrico brasileiro, levando ao desligamento diário de algumas usinas para evitar apagões. A energia solar gerada em telhados de casas, comércios, propriedades rurais e indústrias já alcança cerca de 44 mil megawatts de capacidade instalada no país.

A geração distribuída é atualmente a segunda maior fonte de energia renovável no Brasil, atrás apenas das hidrelétricas, e continua em expansão. A produção solar se concentra principalmente entre 10h e 16h, período em que a oferta de energia supera a demanda, pressionando o sistema elétrico.

Com o aumento das fontes renováveis, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem realizado ajustes diários. O operador passou a solicitar que usinas solares e eólicas reduzam a geração para evitar instabilidades. Dados do ONS indicam que, no ano passado, usinas eólicas e solares deixaram de produzir mais de 20% da energia que poderiam gerar, tanto por determinação do operador quanto por limitações de infraestrutura.

Diante dessas perdas, empresas do setor solicitaram compensações ao governo. O Ministério de Minas e Energia abriu, no final do ano passado, uma consulta pública para discutir o tema. Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar, destacou que o principal problema é a falta de infraestrutura para escoar a energia produzida.

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““As principais soluções são melhorar e tornar mais robusta a infraestrutura elétrica — linhas de transmissão, distribuição e subestações — para que possamos usar mais a energia limpa produzida no Brasil”, afirmou Sauaia.”

Ele também sugeriu a necessidade de estimular o consumo de energia elétrica pela sociedade, como veículos elétricos e indústrias eletrificadas, além da atração de data centers e produção de hidrogênio verde. Sauaia ressaltou a importância de incentivar o uso de energia durante o dia, quando está disponível, e desestimular o consumo à noite, quando é mais cara.

O presidente da Associação dos Grandes Consumidores de Energia, Paulo Pedrosa, avaliou que o país precisa aperfeiçoar a forma como incentiva as energias renováveis. Ele afirmou:

““O país está fazendo o certo do jeito errado. A energia renovável é a mais barata e, com baterias, pode ser distribuída ao longo do tempo.””

O Ministério de Minas e Energia informou que, desde 2023, investiu cerca de R$ 70 bilhões em novas linhas de transmissão e melhorias no sistema, com o objetivo de reduzir os cortes na geração renovável.

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