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Sobrevivente de feminicídio envia carta durante formatura em Apucarana

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Sayonara Doraci da Silva, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, enviou uma carta para ser lida na cerimônia de formatura da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em Apucarana, no dia 27 de fevereiro. O ex-companheiro dela, Ademar Augusto Crepe, permanece foragido desde o crime ocorrido em 10 de fevereiro.

Escondida para garantir sua segurança, Sayonara não pôde receber seu diploma pessoalmente. Na carta, ela expressou sua tristeza pela ausência e destacou que, apesar do medo, conseguiu concluir a faculdade. “Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver”, escreveu.

“”Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade. Mas quero que saibam: ele não venceu.””

A carta foi lida pela professora Carine Maria Senger, que afirmou ter vivido uma situação inédita em seus 18 anos na instituição. Carine recebeu o texto algumas horas antes da cerimônia e descreveu o momento como de “muita emoção”.

A Unespar divulgou uma nota de apoio a Sayonara, ressaltando que ela rompeu um ciclo de violência e buscou, por meio da educação, construir um projeto de vida autônomo. A defesa de Ademar Augusto Crepe ainda não foi localizada.

O crime ocorreu quando o carro dirigido por Sayonara foi interceptado por uma caminhonete, supostamente conduzida por Ademar. Após o impacto, o veículo foi projetado contra um poste, que caiu sobre ele. Ademar teria ameaçado Sayonara com uma arma, mas não disparou. Ela e o filho foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Apucarana.

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar, que foi aceita pela Justiça em 13 de fevereiro, mas ele continua foragido. Em 2025, o Paraná registrou 87 feminicídios, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

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