A S&P Global Ratings rebaixou o rating corporativo da Raízen de CCC+ para CCC-, com perspectiva negativa. Esta é a segunda revisão feita pela agência em menos de um mês.
O rebaixamento foi divulgado dois dias após a empresa comunicar que avalia a implementação de uma solução “abrangente e definitiva” para fortalecer sua estrutura de capital. Em fato relevante, a companhia afirmou que, caso necessário, pode recorrer a um processo de recuperação extrajudicial.
De acordo com a Raízen, a proposta em análise prevê uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pelo Grupo Shell, enquanto R$ 500 milhões viriam de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligada à família do acionista controlador da Cosan.
Outras agências de classificação de risco também revisaram a nota de crédito da empresa recentemente. Em fevereiro, a Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo da Raízen de AAA.Br para CCC+.Br, alterando a perspectiva de “negativa” para “em revisão para rebaixamento”.
A própria S&P já havia reduzido anteriormente o rating global da companhia para CCC+ e o nacional para brCCC+, colocando ambos sob CreditWatch negativo. Segundo a agência, a decisão refletia o aumento do risco de reestruturação da dívida, fluxo de caixa operacional negativo, amortizações relevantes no curto prazo, dificuldades de captação adicional e a contratação de assessores financeiros, interpretada como possível preparação para negociações com credores.
A Fitch Ratings também revisou a avaliação de crédito da empresa em fevereiro, quando rebaixou o rating da Raízen de BBB para BBB-, mantendo a companhia em Observação Negativa. A agência destacou que, apesar da posição de liderança da empresa nos mercados de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, fatores como endividamento elevado, geração de caixa abaixo do esperado e ausência de vendas relevantes de ativos ou novas injeções de capital limitam a manutenção de métricas compatíveis com grau de investimento.
A dívida da Raízen atingiu R$ 55,3 bilhões em dezembro, referente ao terceiro trimestre do ano-safra. No acumulado dos primeiros nove meses do período, a empresa registrou prejuízo de R$ 19,8 bilhões.
Em comunicado divulgado anteriormente, a companhia afirmou que “simplificou a companhia em diversos aspectos”, destacando desinvestimentos que somam cerca de R$ 5 bilhões em caixa e a saída de determinadas operações. Entre os ativos vendidos estão as usinas Continental, em São Paulo, e Rio Brilhante e Passa Tempo, em Mato Grosso do Sul.

