A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar, com a participação do ministro Dias Toffoli, a decisão do ministro André Mendonça que autorizou a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro e de outros três aliados. A sessão de referendo deverá ser incluída na próxima pauta do colegiado.
Os mandados de prisão foram cumpridos nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, após um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou indícios de tentativa de obstrução das investigações. A PF alega que haveria a formação de um grupo com o objetivo de acessar informações sigilosas das apurações e intimidar jornalistas e adversários.
Na decisão que determinou a prisão preventiva, Mendonça citou indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol. O ministro também apontou risco à integridade física e moral de cidadãos, jornalistas e autoridades públicas, além de possível prejuízo à recuperação de valores bilionários desviados dos cofres públicos.
Além das prisões preventivas, o ministro determinou monitoramento com tornozeleira eletrônica a outras quatro pessoas e suspendeu as atividades de cinco empresas ligadas aos envolvidos.
Como a decisão foi monocrática, caberá aos ministros da Segunda Turma decidir se referendam ou não a decisão do relator. Não há debate entre os ministros, e os magistrados possuem um prazo específico para registrar os votos na página on-line do processo.
A Segunda Turma é composta por Mendonça, Gilmar Mendes, Kássio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. Toffoli, que foi relator do Caso Master no Supremo e deixou o posto em fevereiro de 2026, pode votar na investigação.
A medida anunciada por Toffoli ocorreu após uma reunião de mais de quatro horas dos dez ministros da Corte, em meio a uma crise de credibilidade do Supremo. A condução do caso por Toffoli foi alvo de críticas, incluindo uma viagem para o Peru no mesmo jatinho de um advogado de defesa.
Em 2026, Toffoli impôs sigilo máximo ao processo, determinou que o material apreendido pela PF fosse lacrado e enviado diretamente ao Supremo, e posteriormente autorizou o acesso da PF aos documentos, designando agentes próprios para acompanhar a perícia.
Houve também a revelação de ligações financeiras entre irmãos de Toffoli, administradores do Resort Tayayá, e um fundo ligado ao Banco Master.
Apesar de ter deixado a relatoria do caso, Toffoli não se declarou suspeito, permitindo que ele vote em sessões relacionadas à investigação.
Após a saída de Toffoli, André Mendonça foi sorteado como novo relator, e eventuais referendos de decisões e ações penais serão julgados na Segunda Turma, contando com o voto de Toffoli.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro ordenou ameaças a jornalistas, ex-empregados e concorrentes.

