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Supertempestade solar em Marte gerou radiação equivalente a 200 dias em 64 horas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A supertempestade solar que atingiu Marte em maio de 2024 gerou uma radiação equivalente a 200 dias normais em apenas 64 horas. O fenômeno também afetou a Terra, onde causou auroras visíveis até no México.

Duas sondas orbitais da ESA, a Mars Express e a ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), estavam monitorando a radiação durante a tempestade. Um estudo publicado na quinta-feira (5) na Nature Communications detalha como essa intensa atividade afetou o Planeta Vermelho.

De acordo com Jacob Parrott, pesquisador da ESA, “o impacto foi notável: a atmosfera superior de Marte foi inundada por elétrons. Foi a maior resposta a uma tempestade solar que já vimos em Marte.” A supertempestade causou um aumento drástico na concentração de elétrons em duas camadas distintas da atmosfera marciana, a altitudes de aproximadamente 110 e 130 km, com aumentos de 45% e 278%, respectivamente.

Além disso, a tempestade causou erros nos computadores de ambas as naves orbitais, um risco comum em condições de clima espacial, devido à energia das partículas envolvidas. Jacob explicou que as espaçonaves foram projetadas para lidar com essas situações, utilizando componentes resistentes à radiação e sistemas para detectar e corrigir erros.

Para investigar o impacto da supertempestade, Jacob e outros cientistas utilizaram uma técnica da ESA chamada ocultação de rádio. A Mars Express enviou um sinal de rádio para a TGO no momento em que ela desaparecia no horizonte marciano. O sinal foi desviado pelas camadas da atmosfera antes de ser captado pela sonda, permitindo a coleta de informações sobre cada camada.

Na Terra, a resposta da atmosfera superior à tempestade foi mais atenuada, devido ao campo magnético terrestre, que desviou muitas partículas. Cientistas da ESA registraram as consequências de três eventos solares que compuseram a tempestade: uma erupção de radiação, uma explosão de partículas de alta energia e uma ejeção de massa coronal (EMC).

Esses eventos enviaram plasma magnetizado e raios X em direção a Marte. Quando esse material atingiu a atmosfera superior do planeta, colidiu com átomos neutros, arrancando elétrons e resultando em uma atmosfera carregada. Colin Wilson, cientista de projeto da ESA, afirmou: “Os resultados melhoram nossa compreensão de Marte ao revelar como as tempestades solares depositam energia e partículas na atmosfera marciana.”

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