Uma quadrilha conhecida como ‘surfistas de trens’ causou um prejuízo estimado em R$ 13 milhões em dois anos com furtos de cargas de açúcar e soja em Aguaí, São Paulo. A informação foi apurada pela EPTV, afiliada da TV Globo. A Operação Ouro Branco, realizada pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic), prendeu quatro pessoas na manhã desta terça-feira, 17 de março de 2026.
Durante a operação, foram apreendidos três carros, um caminhão, uma moto, sacos utilizados para o transporte da carga furtada e dois simulacros de arma. Danilo Alexíades, delegado da Deic-SP e responsável pela operação, informou que três pessoas foram presas temporariamente e uma quarta foi detida em flagrante por posse de três carabinas calibre 32.
No galpão onde a quadrilha realizava a refinaria, os policiais encontraram cerca de 15 toneladas de açúcar subtraído da linha férrea. Os suspeitos estão sendo indiciados por associação criminosa e furto de carga. O delegado Alexíades ressaltou que o açúcar furtado era utilizado na produção de manta asfáltica.
“”A prisão dessa quadrilha foi importante também para a preservação tanto da população local quanto de outras localidades, uma vez que a gente não sabe qual é o destino que é dado para esse açúcar subtraído”, disse o delegado.”
Os produtos furtados pertencem à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e são transportados do interior paulista até o Porto de Santos para exportação. Os criminosos acessam os vagões em movimento, abrem compartimentos de carga e ensacam o material, que é lançado na linha férrea. Outros integrantes do grupo recolhem a carga e a transportam para galpões e sítios da região, onde passam por um processo de descaracterização antes de serem revendidos.
Desde 2023, os ataques aumentaram significativamente, resultando em perdas financeiras e impactos logísticos, como a indisponibilidade de produtos críticos no principal porto do país, afetando o comércio internacional. A quadrilha operava em quatro frentes: vandalismo, coleta, logística e receptação.
O grupo já vinha sendo investigado desde o final do ano passado, após denúncias de prejuízos milionários. O nome da operação, Ouro Branco, faz referência ao alto valor e à facilidade de escoamento dos produtos furtados. O açúcar, por exemplo, tem comprador certo assim que é subtraído.
“”Por isso, a alusão ao ‘ouro branco’, pela liquidez e rápida inserção no mercado”, acrescentou o delegado.”
A VLT, empresa responsável pela ferrovia, informou que realiza rondas constantes e monitora seus ativos em tempo integral. A companhia mantém equipes de vigilância 24 horas na região e sistemas de segurança nos trens para garantir a integridade das cargas e dos vagões.


