Os Estados Unidos e o Brasil estão em negociações para um acordo sobre cadeias de suprimento de minerais críticos. A afirmação foi feita por Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA no Brasil, nesta quarta-feira, 18 de março de 2026.
A declaração ocorreu após a assinatura de um acordo preliminar com o estado de Goiás e antes de um evento promovido pela embaixada dos EUA, que reuniu investidores americanos e empresas brasileiras. Entre os participantes estavam Citi e Anglo American.
““Temos uma proposta de acordo em nível federal. Já tivemos discussões iniciais, mas ainda estamos aguardando avanços”, disse Escobar durante o evento.”
Os EUA buscam ampliar o acesso a reservas de minerais críticos, especialmente terras raras, dominadas por empresas da China. As negociações ocorrem em meio a tensões diplomáticas entre Washington e Brasília, que afetaram a participação de autoridades brasileiras no evento.
O atrito nas relações se intensificou após um pedido de um integrante do governo americano para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de interferência em assuntos internos. O pedido foi barrado devido a “falsificação” dos motivos da visita.
Em fevereiro, o Brasil recebeu uma proposta de memorando de entendimento, que inicialmente foi enviado com o nome de outro país, mas o erro foi corrigido. As negociações seguem com o escritório do representante de Comércio dos EUA e podem avançar com uma eventual visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington.
Um encontro entre Lula e Donald Trump, previsto para este mês, foi adiado devido a conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, além das tensões bilaterais.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro criticaram a decisão dos EUA de firmar um acordo direto com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adversário político de Lula. O acordo prevê cooperação em áreas como mapeamento de potencial mineral e conexão de mineradoras locais com tecnologia americana.
Goiás concentra reservas de lítio e nióbio e abriga a única empresa em operação comercial de terras raras no Brasil, a Serra Verde, com apoio dos EUA. A parceria busca estimular o processamento local e a agregação de valor, incluindo a separação de terras raras, uma prioridade também para o governo Lula.
Autoridades americanas veem potencial para investimentos bilionários e já identificaram mais de 50 projetos de mineração no Brasil que podem ajudar a diversificar a oferta global e reduzir a dependência da China nesse mercado estratégico.

