A temporada de infecções por influenza, o vírus causador da gripe, chegou mais cedo ao Brasil, conforme o último boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O aumento de casos tem levado a internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
O levantamento indica que, além da gripe, infecções por rinovírus e pelo vírus sincicial respiratório (VSR) estão relacionadas ao aumento de internações por doenças respiratórias no país. A análise das últimas seis semanas mostra que apenas o estado do Tocantins não registrou aumento de episódios graves de síndrome respiratória.
O crescimento dos casos de SRAG está associado a infecções por rinovírus entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. A influenza A também contribui para os índices em estados como Rio de Janeiro, Mato Grosso, Amapá, Pará e Rondônia. No Nordeste, apenas Alagoas e Sergipe não apresentam elevação de casos de gripe.
““O crescimento da influenza A está ocorrendo de forma bastante antecipada em muitos estados, já que o esperado seria verificar um aumento mais expressivo do vírus na maioria dos estados por volta de abril”, afirmou a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz.”
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi observado um leve aumento de casos de covid-19, mas sem impactos significativos no número de internações. Neste ano, foram notificados 16.882 casos de SRAG, dos quais 6.064 tiveram confirmação laboratorial para algum tipo de vírus.
O rinovírus foi o mais frequente, representando 40,8% dos casos, seguido por influenza A (20,8%), vírus da covid (15,8%) e VSR (13,5%). A vacinação é a melhor forma de evitar episódios graves e mortes tanto para a gripe quanto para a covid-19.
As vacinas contra a gripe são oferecidas gratuitamente para populações vulneráveis, como crianças e idosos, em campanhas do Ministério da Saúde. A imunização está prevista para começar no fim deste mês, com 6,9 milhões de doses já entregues pelo Instituto Butantan.
Além disso, a vacina contra o VSR está disponível no SUS para gestantes a partir da 28ª semana, protegendo o recém-nascido contra o vírus. O VSR está relacionado ao aumento de casos graves entre crianças com menos de dois anos nos estados do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Paraíba e Sergipe.
Esse vírus é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias nessa faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20 mil bebês menores de um ano são internados anualmente devido a essa infecção.
Para quem já apresenta sintomas gripais, recomenda-se evitar contato com outras pessoas, usar máscara se precisar sair de casa e higienizar as mãos corretamente.


