O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da soldada da PM Gisele Alves Santana, foi condenado por abuso de autoridade em um caso que envolve a morte da policial, ocorrida em São Paulo. A condenação se deu em uma ação de indenização por danos morais movida por uma policial subordinada ao oficial, que alegou ter sofrido assédio moral.
A Justiça reconheceu que Geraldo Neto, quando ainda era major, praticou ações repetitivas que tinham o ‘objetivo ou efeito de atingir a autoestima e a autodeterminação, bem como sua dignidade’, causando danos ao ambiente de trabalho. A sentença foi proferida em outubro de 2024 pela 3ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública da Capital.
A sargento Valéria Barreto dos Santos processou a Fazenda Pública alegando perseguições e acusações falsas feitas pelo então major, que era comandante de um batalhão. Entre os episódios relatados estão acusações de extravio de processos disciplinares, cobranças excessivas de horário, repreensões públicas e ameaças de transferência.
O estado foi condenado ao pagamento de R$ 5 mil à autora da ação. A decisão judicial destacou que as ações do oficial, em posição de autoridade, tinham por objetivo atingir a dignidade da autora, causando danos ao ambiente de trabalho.
O advogado da família de Gisele, Miguel Silva, afirmou que o tenente-coronel tem um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres. Ele citou registros policiais e decisões judiciais que apontam episódios de assédio e perseguição contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial.
O advogado também mencionou boletins de ocorrência registrados por ex-companheiras do tenente-coronel entre 2009 e 2010, onde elas relataram perseguições e ameaças. Em um dos registros, uma ex-mulher afirmou que o oficial mantinha vigilância sobre ela e a ameaçava de morte.
O caso da morte de Gisele, ocorrida em 18 de fevereiro, inicialmente registrado como suicídio, agora é investigado como morte suspeita. A defesa do tenente-coronel sustenta a versão de suicídio, enquanto o advogado da família acredita que se trata de feminicídio. A Polícia Civil aguarda laudos complementares para concluir a investigação.
O tenente-coronel se afastou do trabalho após a morte de Gisele, mas participou da reconstituição do caso, que ocorreu no dia 23 de fevereiro. Ele alega que a esposa se suicidou após uma discussão. No entanto, a família contesta essa versão, afirmando que Gisele vivia uma relação tóxica com o coronel.

