Tenente-coronel Geraldo Neto é preso por suspeita de feminicídio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso preventivamente na manhã de terça-feira, 18 de março de 2026, após decisão da Justiça Militar de São Paulo. Ele é suspeito de feminicídio, tentativa de destruição de provas e risco à investigação da morte de sua esposa, a policial Gisele Alves Santana, ocorrida no Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

A decisão foi proferida pela 5ª Auditoria Militar do Tribunal de Justiça Militar (TJM) e acolheu pedidos da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). O magistrado afirmou que a medida foi necessária para garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal.

A Justiça Militar considerou que, mesmo o crime ocorrendo fora do horário de serviço e dentro da residência do casal, o caso envolve o exercício da função do tenente-coronel. Ele teria utilizado sua posição hierárquica para oprimir a vítima e interferir na cena do crime, o que caracteriza violação de deveres institucionais.

Laudos periciais refutaram a versão inicial do tenente-coronel, que alegava suicídio. A exumação do corpo de Gisele revelou marcas de luta corporal, e análises de sangue mostraram um padrão que contradiz a hipótese de um disparo feito por ela. Vestígios de sangue foram encontrados na bermuda do oficial e em outros locais, contrariando sua versão de não ter contato com o sangue da esposa.

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O juiz destacou o comportamento do tenente-coronel após o crime, que incluiu a realização de um banho, o que poderia ter eliminado vestígios importantes. Além disso, a possibilidade de intimidação de testemunhas e o acionamento de uma autoridade do Judiciário foram considerados como tentativas de influenciar a investigação.

A conduta do tenente-coronel foi classificada como de “elevadíssima reprovabilidade”, com o uso de uma arma institucional e da estrutura da corporação para ocultar o crime, o que abala a confiança da sociedade na Polícia Militar. A prisão foi decretada em São José dos Campos, e a decisão autorizou a apreensão de celulares e quebra de sigilo de dados.

O oficial foi indiciado por feminicídio e fraude processual.

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