O tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso na manhã de 18 de março de 2026, em sua residência em São José dos Campos, interior de São Paulo. Ele é acusado de feminicídio pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada dentro do apartamento do casal, localizado no Brás, região central da capital paulista.
A denúncia do Ministério Público de São Paulo aponta que o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28. Durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça e disparado contra o lado direito do crânio. Após o disparo, ele teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio, posicionando o corpo da vítima e colocando a arma em sua mão.
O documento do MP também revela que o oficial tentou dificultar a perícia ao esconder vestígios e lavar as mãos. Além disso, houve uma demora de cerca de meia hora para acionar o socorro, período em que o tenente-coronel alterou o local dos fatos.
As mensagens extraídas do celular do tenente-coronel mostram um relacionamento marcado por violência. Ele cobrava relações sexuais da soldado em troca do pagamento das contas da casa. Em uma das mensagens, ele reclama da falta de “investimento” da vítima na relação, detalhando os valores das despesas que pagava.
““Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo…. mas nem isso você faz”, escreveu o tenente-coronel.”
Gisele, por sua vez, expressou seu desejo de separação, afirmando:
““Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”,”
em 2 de fevereiro, poucos dias antes do crime. A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto informou que irá se manifestar nos autos, alegando que não se trata de feminicídio, mas sim de suicídio.
O Ministério Público também sustenta que o tenente-coronel pode ter usado sua posição hierárquica para influenciar testemunhas e interferir na investigação. A Justiça decretou a prisão preventiva do oficial, que deve ser analisado pelo Tribunal do Júri.


