A energia voltou a ser um tema central no cenário geopolítico. O agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã resultou em uma queda de cerca de 90% no tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, conforme dados da consultoria marítima Kpler.
Em resposta, o mercado reagiu rapidamente, com o preço do petróleo subindo 2,9%, alcançando US$ 83,75 o barril. No Brasil, consumidores já notaram aumentos nos preços em alguns postos, uma prática comum em momentos de tensão, mesmo que o país não dependa do petróleo do Oriente Médio.
Na Europa, a situação é mais delicada, com o receio de que falte gás natural. O continente precisa reabastecer seus estoques para o próximo inverno, e a guerra tornou essa tarefa mais arriscada e cara, devido a interrupções na produção e nos embarques de gás natural liquefeito (GNL). Os preços do gás dispararam, atingindo o nível mais alto em três anos.
Desde que o bloco europeu reduziu drasticamente as compras de gás russo após a guerra na Ucrânia, sua dependência do GNL aumentou. Esse cenário também se tornou uma arma política. Durante um evento na Casa Branca, o ex-presidente americano Donald Trump criticou a aposta da Europa em energia eólica e defendeu o uso de combustíveis fósseis.
Por sua vez, o presidente russo Vladimir Putin declarou que Moscou pode interromper o fornecimento de gás à Europa caso o bloco avance na proibição das compras russas. Embora nenhuma decisão tenha sido tomada, a mensagem foi clara: em tempos de guerra, a energia se transforma em uma arma.

