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Infraestrutura

Terras raras de MG serão utilizadas na produção de nanotecnologia no Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 14:21
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A mineradora australiana St George Mining firmou um memorando de entendimento com a empresa brasileira Nanum Nanotecnologia para utilizar parte das terras raras do Projeto Araxá na produção de produtos nanotecnológicos no Brasil. O foco da parceria é transformar o cério, o elemento mais abundante entre as terras raras, em compostos avançados com nanotecnologia.

O cério possui diversas aplicações industriais, incluindo catalisadores automotivos, polimento de vidro e revestimentos anticorrosivos. A manipulação nanométrica do cério pode aumentar sua eficácia em aplicações industriais e químicas. Apesar de sua abundância, o cério não possui a mesma demanda estratégica que elementos como neodímio e disprósio, que são essenciais para tecnologias de ponta, como energia renovável e veículos elétricos.

O diretor-geral da St George no Brasil, Thiago Amaral, destacou que a parceria amplia as possibilidades tecnológicas do projeto. Ele afirmou:

““Araxá reúne um conjunto de minerais estratégicos que ganham importância crescente frente às demandas da economia global neste momento. À medida que aprofundamos o conhecimento sobre esse recurso, surgem novas oportunidades de agregar valor e criar negócios no Brasil, reforçando nossa cadeia industrial.””

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O memorando prevê a realização de estudos tecnológicos, testes químicos e avaliação de rotas de processamento para transformar o cério em produtos comerciais. A parceria também considera acordos de fornecimento de longo prazo para o material processado, visando fortalecer a cadeia industrial brasileira e promover o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

A Nanum Nanotecnologia já produz a dispersão de NanoCério, composta por partículas pequenas de cério, que são altamente estáveis e bem distribuídas. Esse material é utilizado para acelerar reações químicas e evitar a oxidação em catalisadores automotivos.

O Projeto Araxá é considerado inovador por minerar nióbio e terras raras no mesmo depósito. Recentemente, a St George anunciou um aumento de 75% na estimativa de recursos minerais do projeto, que agora conta com 70,91 milhões de toneladas de recursos, com teor médio de 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio.

O teor de 4,06% de terras raras é considerado elevado para projetos fora da China, que atualmente domina a produção e o processamento desses minerais. A empresa considera apenas áreas com concentração acima de 2% de teor médio de terras raras para essa estimativa, desconsiderando zonas com teores inferiores.

O projeto, em fase de desenvolvimento, é monitorado por empresas e governos estrangeiros devido à corrida global por minerais críticos. A companhia busca recursos para avançar nas próximas etapas, incluindo engenharia detalhada e construção de plantas de processamento. O governo de Minas Gerais já aprovou incentivos fiscais para a iniciativa, reconhecendo seu potencial estratégico.

A St George também está em negociações com a empresa americana REalloys para um possível contrato de “offtake”, que poderia envolver até 40% das terras raras produzidas em Araxá, permitindo a participação da empresa nas etapas industriais posteriores, como a separação e produção de materiais para ímãs permanentes.

TAGGED:AraxáinfraestruturaMinas GeraisMineraçãoNanotecnologiaNanum NanotecnologiaNióbioREalloysSt George Miningterras rarasThiago Amaral
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