Tesouro Nacional cancela leilão de títulos públicos e analisa impactos na renda fixa

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (16) o cancelamento dos leilões de títulos públicos indexados a índices de preço e prefixados. As negociações de papéis atrelados à taxa Selic continuarão a ser realizadas.

O órgão do Ministério da Fazenda também informou que realizará leilões de compra e venda de papéis para “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

Na manhã de hoje, o Tesouro comprou 14,8 milhões de LTN (Letras do Tesouro Nacional) e 2,45 milhões de NTN-F (Notas do Tesouro Nacional-Série F), ambos os papéis prefixados. À tarde, ocorreu um novo leilão de compra e venda de NTN-B (Notas do Tesouro Nacional-Série B), papéis indexados à inflação, na segunda intervenção do órgão no mercado de títulos no dia.

A medida é uma resposta aos impactos econômicos causados pela guerra no Oriente Médio, que alterou as perspectivas de inflação e juros.

- Publicidade -

Analistas foram consultados para entender os impactos nos investimentos em renda fixa atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), à Selic e nos prefixados. Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, explicou que, em momentos de volatilidade, o mercado tende a vender títulos de risco, elevando as taxas desses papéis. A recompra de papéis pelo Tesouro, no entanto, aumenta a demanda e controla a alta dos juros longos, trazendo liquidez.

““A entrada do Tesouro é positiva para o investidor que carrega o título. Não acho que seja o momento de vender por conta da volatilidade; a recompra (pelo Tesouro) traz mais conforto”, disse Fontes.”

Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, também comentou sobre o efeito tranquilizador da recompra de títulos pelo Tesouro. Ele destacou que a suspensão de novas ofertas de títulos via leilão, combinada com a recompra, tende a gerar menor pressão sobre as taxas e promover maior estabilidade nos preços dos títulos.

““Isso é muito importante, especialmente para investidores pessoa física”, avaliou Almeida.”

O economista Danilo Coelho mencionou um adiamento da valorização dos papéis prefixados e atrelados à inflação, afirmando que a curva de juros futuro está exigindo um juro maior do que antes, o que resultará em uma desvalorização dos papéis por um período mais longo.

- Publicidade -

““O que era esperado de ágio nos títulos vai ficar um pouquinho mais para frente”, afirmou Coelho.”

Fontes vê um bom momento para entrada no mercado devido às altas taxas, mas alerta sobre os riscos dos prefixados, como a marcação a mercado. Coelho também identificou oportunidades na renda fixa, sugerindo que os investidores podem se manter no CDI, que está sendo bem remunerado, ou apostar no prefixado agora, aproveitando a taxa mais alta.

Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, destacou que as taxas atuais apresentam oportunidades para investidores que pretendem manter os papéis até o vencimento, considerando que os rendimentos estão acima da média histórica.

““Investidores que esperavam uma valorização mais expressiva no curto prazo terão de aguardar mais tempo”, disse Santos.”

Ele também observou que os títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, devem continuar entregando um retorno real atrativo, mesmo em um ambiente de maior pressão inflacionária.

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidirá nesta quarta-feira (18) sobre os juros brasileiros, atualmente em 15%. O consenso de corte de 0,50 p.p. agora gera divergências, com muitos analistas esperando um corte menor, de 0,25 p.p.

O Boletim Focus divulgado nesta segunda aumentou a projeção para a Selic, que deve encerrar 2026 em 12,25%, acima dos 12,13% previstos anteriormente. Fontes comentou que a manutenção dos juros altos por mais tempo dificulta a decisão dos investidores de renda fixa, especialmente em relação à marcação a mercado e títulos prefixados.

Compartilhe esta notícia