O Tesouro Nacional realizou novas recompras de títulos públicos nesta terça-feira, 17 de março de 2026, em uma tentativa de conter a escalada dos juros futuros. A intervenção ocorre diante do aumento das incertezas globais e domésticas.
Com as operações mais recentes, a atuação do Tesouro alcançou R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, configurando a maior intervenção no mercado em mais de uma década. O volume supera as ações adotadas durante a pandemia de covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.
Pela manhã, foram recomprados R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados. À tarde, novas operações com papéis atrelados à inflação movimentaram R$ 7,07 bilhões. Na véspera, o volume já havia atingido R$ 27,5 bilhões.
Levantamentos de mercado indicam que a magnitude atual também supera episódios de estresse, como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018. As recompras buscam reduzir a volatilidade na curva de juros, referência para expectativas sobre a Taxa Selic.
A alta recente das taxas foi impulsionada pelo avanço do conflito no Irã e pela elevação dos preços do petróleo, fatores que aumentam o risco inflacionário. O movimento também ocorre em meio a incertezas internas, incluindo a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros.


