Thainá Santos toma posse como policial penal após ser desligada por gravidez

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Thainá Santos, de 28 anos, tomou posse como policial penal na quarta-feira (4) em Boa Vista, três anos após ser desligada do curso de formação por estar grávida.

A cerimônia representa a realização de um sonho e o início da estabilidade financeira que ela sempre buscou. Thainá foi aprovada no concurso de 2020, mas foi impedida de continuar o curso de formação quando estava com 7 meses de gestação, apesar de apresentar exames que comprovavam sua aptidão.

“Me senti punida. Acredito que deveria haver adaptação para não prejudicar as mulheres. Um homem não seria desligado por ser pai, e eu fui desligada por ser mãe”, afirmou Thainá.

Após o desligamento, Thainá buscou a Justiça, mas não conseguiu reverter a decisão. Em 2023, a Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher interveio, alegando que a exclusão feria a Constituição Federal e as legislações de proteção à mulher.

““A gravidez não poderia ser uma condição para impedir uma mulher a avançar no concurso”, disse a promotora Lucimara Campaner.”

Com a intervenção, Thainá pôde concluir a formação após o nascimento de seu filho, Théo Lucca, que estava com 9 meses quando ela retornou ao curso.

“Espero que seja só a primeira de muitas conquistas. E que o que aconteceu comigo não aconteça com outras mulheres”, declarou Thainá, que agora está pronta para atuar em uma das unidades prisionais do estado.

Além de Thainá, outros 73 novos policiais penais foram empossados, elevando o quadro efetivo da Polícia Penal de Roraima para 877 servidores.

Thainá compartilhou em suas redes sociais fotos que simbolizam sua trajetória: uma da época em que estava grávida e foi desligada, e outra da cerimônia de posse com seu filho.

“Foram noites de choro e desespero. Mas deu certo. Hoje, só quero trabalhar, dar o meu melhor e agradecer a Deus”, concluiu.

Thainá estudou por oito anos para passar no concurso e, durante o processo, também foi aprovada para a Guarda Civil Municipal de Boa Vista, mas optou por permanecer na Polícia Penal.

O concurso da Polícia Penal ficou suspenso por cerca de 15 meses devido a questionamentos judiciais. Thainá publicou um vídeo sobre sua trajetória, que ajudou a dar visibilidade ao caso e evitar que o certame perdesse a validade.

““Se não fosse essa repercussão, muitas pessoas ficariam de fora”, afirmou Thainá.”

Ela também refletiu sobre a desigualdade nas vagas, destacando que, se o percentual fosse igual entre homens e mulheres, já estaria trabalhando há mais tempo.

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