TIC Trens aguarda licença para iniciar obras do Trem Intercidades em março

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A TIC Trens, concessionária formada pelo grupo Comporte e pela chinesa CRRC, aguarda a licença de instalação para iniciar as obras do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas. O documento está em fase final de análise pela Cetesb e deve permitir a montagem dos primeiros canteiros ainda neste mês de março.

As obras começarão com serviços de drenagem e remoção de interferências no trecho Jundiaí-Campinas, que já possui projeto executivo de engenharia. Está prevista a instalação de trilhos na faixa de domínio da ferrovia de cargas operada pela MRS Logística. “Começaremos por esse trecho porque ele é praticamente greenfield (novo)”, afirmou o diretor-presidente da TIC Trens, Pedro Moro. “Se tudo der certo, teremos os canteiros iniciais até o fim de março.”

Para executar as obras civis, o grupo Comporte criou uma empresa própria de engenharia, a Engetrens, que assumiu o contrato de EPC (engenharia, gestão de compras e construção). Os trabalhos também incluirão a reforma das estações de Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas, todas tombadas, o que exige cuidados especiais, conforme explicou Moro.

A CRRC ficará responsável pela infraestrutura de sinalização e comunicações, além do fornecimento de 22 novos trens. Quinze trens virão da China para o serviço expresso São Paulo-Campinas, que fará paradas em Jundiaí. Outras sete composições, produzidas pela CRRC em Araraquara (SP), serão destinadas ao Trem Intermetropolitano (TIM) entre Jundiaí e Campinas.

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A concessão, leiloada em 2024, é uma parceria público-privada de aproximadamente R$ 14 bilhões, com aportes do governo estadual e do consórcio vencedor. Em novembro do ano passado, a TIC Trens assumiu a operação da Linha 7-Rubi da CPTM, que possui 17 estações entre a Barra Funda e Jundiaí. O expresso São Paulo-Campinas, que terá velocidade de até 140 km/h e duração de 64 minutos, deverá entrar em funcionamento em 2031, enquanto o TIM está previsto para 2029.

A viagem do Trem Intercidades partirá da estação Água Branca, em São Paulo, que será reformulada para se tornar um dos maiores polos de integração metroferroviária da América Latina. A nova estação terá cinco andares, 70 mil metros quadrados de área construída e sete plataformas, que atenderão não apenas o TIC e a Linha 7-Rubi, mas também outras cinco operações.

Pedro Moro informou que as receitas da TIC Trens devem ser divididas em 55% provenientes de tarifas, 30% de aporte público do governo estadual e 15% de receitas não tarifárias. A concessionária planeja propor ao governo estadual um aditivo para a duplicação da linha entre São Paulo e Jundiaí, onde o contrato atual prevê apenas via única.

A TIC Trens está elaborando um projeto básico de engenharia para a duplicação, que será apresentado ao poder concedente no fim do ano. O contrato original já prevê essa possibilidade, com um limite máximo de 20% no acréscimo dos aportes estaduais, o que, a preços atuais, seria um teto de R$ 2,8 bilhões.

Segundo Moro, a duplicação visa diminuir o tempo de recomposição total das operações em caso de paradas inesperadas e criar novas possibilidades de serviços alternativos. Ele exemplificou que, em caso de uma emergência a bordo, a duplicação poderia reduzir o impacto no cronograma das operações.

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