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TikTok remove vídeos que simulavam agressões contra mulheres após investigação da PF

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O TikTok removeu vídeos associados à trend “treinando caso ela diga não” após reportagens e o início de investigação da Polícia Federal sobre o conteúdo, que simulava agressões a mulheres.

Ao menos 20 posts mapeados foram retirados do ar após a plataforma solicitar links encontrados pela reportagem na segunda-feira (9). Nos vídeos, os criadores simulavam situações de abordagem romântica, geralmente um pedido de namoro ou casamento, seguido da frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes.

Após a legenda, os autores encenavam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição, incluindo socos em objetos, movimentos de luta ou golpes com faca.

Procurado, o TikTok afirmou que os conteúdos violam as regras da plataforma e que foram removidos após serem identificados. Os perfis que publicaram os vídeos seguem no ar.

““Os referidos conteúdos violam nossas Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento de ódio ou promoção de ideologias de ódio”, afirmou a plataforma.”

A trend ganhou força nas últimas semanas, próximo ao Dia Internacional das Mulheres, e gerou repercussão nas redes sociais. O g1 analisou vídeos publicados entre 2023 e 2025 por perfis com 883 a 177 mil seguidores, que somavam mais de 175 mil interações na plataforma.

Um dos vídeos que voltou a circular é do influenciador digital Yuri Meirelles, conhecido após participar do clipe “Funk Rave”, de Anitta, e do reality show “A Fazenda”. Após a repercussão, ele apagou o vídeo e publicou um pedido de desculpas nas redes sociais.

““Na época, foi uma brincadeira, uma trend que estava tendo, que você mostrava golpes que faria na sua mulher se ela não aceitasse o pedido de casamento”, disse. “Hoje eu olho para trás e me dá uma vergonha absurda. Foi o maior absurdo que eu já postei na minha vida e eu vim aqui pedir perdão para vocês.””

A circulação da trend motivou a atuação da Polícia Federal, que instaurou um procedimento investigativo para apurar a divulgação de conteúdos que incitavam violência contra mulheres. A PF solicitou à plataforma a preservação dos dados e a retirada do material.

“Também foram identificados outros vídeos vinculados à mesma tendência, que foram igualmente reportados e removidos. As informações reunidas serão analisadas para a adoção das medidas cabíveis”, acrescentou a PF em nota.

Paralelamente, a Comissão de Segurança Pública da Câmara deve votar um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue publicações do tipo e avalie eventual responsabilização criminal por apologia à violência contra mulheres.

A pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), comentou que conteúdos desse tipo tendem a se espalhar rapidamente porque geram alto engajamento nas plataformas. “As plataformas não gostam de remover conteúdo, principalmente esses conteúdos que são virais. Para o modelo de negócio delas é bom, traz lucro”, afirmou.

Os registros mais antigos desse formato aparecem em publicações feitas fora do Brasil, com vídeos em inglês que reproduzem a mesma ideia de simular reações violentas após uma possível rejeição feminina.

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