O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) cancelou a próxima edição do projeto Vagão da Conciliação, que estava prevista para os dias 16 e 17 de março. A decisão foi tomada em razão da interdição da Estrada de Ferro Carajás (EFC), que suspendeu a circulação do Trem de Passageiros da Vale, utilizado para a realização da iniciativa.
Na tarde de sexta-feira (13), indígenas da Terra Indígena Mãe Maria bloquearam a EFC. O ato foi realizado por 49 lideranças do povo Gavião, que protestam contra os impactos ambientais atribuídos às obras de duplicação da ferrovia.
O TJ-MA reafirmou seu compromisso com a promoção do acesso à Justiça e informou que novas datas para o Vagão da Conciliação serão divulgadas assim que a operação da ferrovia for restabelecida com segurança. O projeto, desenvolvido em parceria com a Vale, levaria atendimentos jurídicos gratuitos à população durante o percurso entre São Luís e Açailândia, e no trajeto de retorno.
A ação é coordenada pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec/TJ-MA), presidido pelo desembargador José Nilo Ribeiro Filho e coordenado pelo juiz Rodrigo Nina.
As lideranças indígenas bloquearam a Estrada de Ferro Carajás por volta das 18h de sexta-feira (13), como parte de um protesto contra a poluição em rios que cortam o território durante as obras de duplicação da ferrovia. O bloqueio ocorre em um contexto de tensão crescente envolvendo impactos ambientais, disputas territoriais e questionamentos jurídicos sobre a legalidade da ampliação da EFC dentro da terra indígena.
A mobilização é resultado de anos de denúncias feitas pelas comunidades sobre possíveis danos ambientais relacionados às obras e à operação da ferrovia. Entre as principais preocupações estão a contaminação de rios, mudanças na qualidade da água e a falta de estudos adequados sobre os efeitos à saúde das populações da Terra Indígena Mãe Maria.


