Trabalhadores bolivianos em Cobija, cidade que faz fronteira com Brasiléia e Epitaciolândia, realizaram um protesto nesta sexta-feira (13) devido ao atraso no pagamento de salários. A mobilização gerou alerta sobre a trafegabilidade nas pontes que conectam os dois países, com a ameaça de fechamento da passagem por tempo indeterminado.
O protesto, que começou com um bloqueio temporário da passagem no início da manhã, foi organizado por sindicatos e servidores públicos do departamento de Pando, na Bolívia. Os manifestantes afirmam que há trabalhadores que estão há mais de três meses sem receber salários.
Representantes dos trabalhadores tentam diálogo com o ministro da Economia da Bolívia para buscar uma solução. A trabalhadora Joana Autalívio Rivera expressou a frustração da categoria: “Estamos há dois, três, quatro, até cinco meses sem salário. Como que a gente vai viver? Já tentamos dialogar muitas vezes, mas não tivemos resposta. Por isso nós nos sentimos obrigados a tomar medidas de pressão para conseguir uma solução”.
A mobilização foi convocada pela Central Obrera Boliviana nas primeiras horas da manhã e os trabalhadores permanecem mobilizados enquanto aguardam uma resposta do governo local. Joana Autalívio acrescentou: “O comandante da polícia conversou conosco e foi decidido fazer um intervalo enquanto acontece a reunião com o ministro. Estamos esperando uma resposta favorável para decidir os próximos passos”.
O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Cobija, Pedro Tavarez, destacou que a mobilização visa chamar atenção para a situação dos servidores e pediu compreensão aos brasileiros que utilizam a travessia. “Pedimos desculpas à população brasileira por estarmos com essa medida de pressão. Ela é motivada por essa questão política, mas é a nossa forma de mostrar indignação com a falta do nosso salário”, afirmou.
A ponte internacional é parte da rotina de moradores da região de fronteira. Com receio de um possível bloqueio, muitos brasileiros que estudam ou trabalham em Cobija já optaram por atravessar a fronteira a pé. A estudante de medicina Taynara Machado comentou sobre a situação: “É muito difícil, porque a gente precisa atravessar cedo todos os dias. Muitas vezes temos que ir a pé, com mochila pesada, para conseguir chegar na faculdade”.


