A tragédia provocada pelas chuvas na Zona da Mata mineira resultou em 72 mortes confirmadas até este domingo (8). O evento, que ocorreu na última semana de fevereiro, é considerado o quarto maior desastre causado por chuvas no Brasil na última década, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O Cemaden, que monitora os dados desde 2016, destacou que a tragédia coloca a região entre os episódios mais letais do país. Além disso, é o maior desastre por chuvas desde as enchentes no Rio Grande do Sul, em maio de 2024. Para essas comparações, o Cemaden considera apenas os números de mortes confirmadas pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR).
A chuva intensa que caiu na noite de 23 de fevereiro, com registros entre 100 e quase 150 mm em seis horas, provocou enchentes e enxurradas, deixando mais de 8.500 desabrigados e desalojados. Marley Rodrigues, um dos afetados, relatou: “Toda a minha família mora aqui. Tive o instinto de sair rápido, tiramos vizinho, minha mãe, meus irmãos e, graças a Deus, estamos aí na luta”.
Na Defesa Civil, cinco mortes foram registradas no bairro Esplanada, onde os moradores ainda enfrentam incertezas quase 10 dias após a tragédia. Washington Luiz de Oliveira, morador da região, comentou: “Já conteve bastante aqui, não teve mais problema nenhum, mas o que a gente quer agora é solução. Saber se algumas pessoas podem voltar para casa ou não”.
Na cidade vizinha de Ubá, o comerciante Jucelito Gomes relatou que a água ultrapassou um metro e meio de altura no Centro, destruindo várias lojas e causando prejuízos a centenas de pessoas. “Não deu pra salvar nada e é muito tenso, né. Não é só a perda material, a gente fica psicologicamente abalado, a gente não dorme, à noite, quando dá uma chuva, a gente acorda assustado com medo de acontecer algo”.
De acordo com o Cemaden, os cinco maiores desastres por chuvas na última década no Brasil são: 1) Petrópolis (233 óbitos, fevereiro de 2022); 2) Rio Grande do Sul (184 óbitos, abril a maio de 2024); 3) Região Metropolitana do Recife (128 óbitos, maio de 2022); 4) Zona da Mata (72 óbitos, fevereiro de 2026); 5) Litoral Norte de São Paulo (65 óbitos, fevereiro de 2023).
Juiz de Fora foi a terceira cidade brasileira com maior volume de chuva nos 30 dias anteriores, com quase 600 milímetros. O diretor substituto do Cemaden, Pedro Ivo Camarinha, afirmou que é incomum cidades do interior, como Juiz de Fora, registrarem volumes de chuva tão altos, comparáveis aos de cidades litorâneas.


