Transformações nos locais afetados pelo Césio-137 em Goiânia

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Quase 40 anos após o acidente com o césio-137, em Goiânia, os locais afetados pela contaminação passaram por transformações, mas ainda mantêm vestígios físicos e simbólicos da tragédia. O tema voltou a ganhar destaque após o lançamento de uma série sobre o caso e conteúdos nas redes sociais, como o da comunicadora Isa Bosco, que visitou pontos importantes do acidente.

O acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia de uma clínica abandonada, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Atualmente, o local abriga o Centro de Convenções de Goiânia, mas é reconhecido como o ponto inicial da tragédia. Após a retirada do equipamento, o material foi levado a um ferro-velho no Setor Aeroporto, onde a cápsula foi aberta e o conteúdo radioativo começou a se espalhar.

A área passou por intervenções para conter a radiação, com uso de concreto e isolamento do solo. Mesmo com as mudanças, o local ainda é lembrado como o ponto central da contaminação. Em vídeo publicado nas redes sociais, Isa Bosco descreve o impacto de revisitar o espaço:

““A história não se apaga. Aqui teve famílias, teve pessoas””

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Durante o acidente, o Estádio Olímpico — hoje Centro de Excelência do Esporte — foi utilizado como base de triagem. Mais de 100 mil pessoas passaram pelo local para exames e monitoramento. O Hospital Geral de Goiânia (HGG) também teve papel importante no atendimento às vítimas, criando uma ala específica para radioacidentados, que ainda funciona pelo SUS.

Todo o material recolhido durante a descontaminação foi levado para Abadia de Goiás, onde fica o depósito da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O local abriga os rejeitos radioativos em estruturas seguras, cobertas por camadas de concreto, brita e solo, e segue sob monitoramento constante. Pesquisadores afirmam que os riscos associados aos resíduos só devem desaparecer completamente após cerca de 200 anos.

Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), ligado à Secretaria Estadual de Saúde, continua prestando atendimento a vítimas diretas e indiretas do acidente. O acidente começou quando o equipamento foi desmontado e partes do material radioativo foram distribuídas entre pessoas que não sabiam do risco. Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência da exposição, incluindo Maria Gabriela Ferreira e a menina Leide das Neves, de 6 anos, uma das vítimas mais conhecidas do caso.

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