Três policiais militares foram presos nesta quinta-feira (5) por roubo a passageiros de um ônibus na Região Metropolitana do Rio. O crime ocorreu em maio do ano passado, quando os PMs estavam fardados e durante o expediente.
De acordo com o Ministério Público, os policiais abordaram um ônibus de comerciantes que viajavam de São Paulo para Vitória, no Espírito Santo, e roubaram dois passageiros. O ônibus, que transportava cerca de trinta pessoas, foi parado por uma viatura da PM e dois carros de passeio no Arco Metropolitano, próximo a Duque de Caxias, por volta das duas horas da madrugada.
Os PMs não acionaram a sirene nem ligaram as luzes da viatura, o que causou estranheza. Inicialmente, pediram para revistar o bagageiro, mas nada foi encontrado. Em seguida, entraram no ônibus e, segundo a investigação, roubaram 11 celulares de dois comerciantes, alegando que os aparelhos não tinham nota fiscal.
As vítimas solicitaram ser levadas à delegacia para comprovar a legalidade dos celulares, mas os policiais se negaram e levaram os aparelhos. Posteriormente, os comerciantes apresentaram notas fiscais dos celulares, informando que os compraram no bairro do Brás, em São Paulo, para revender em Campos dos Goytacazes. Um deles alegou ter tido um prejuízo de mais de R$ 100 mil.
Uma testemunha relatou que as vítimas tentaram ligar para os vendedores em São Paulo para comprovar a compra, mas os PMs não devolveram os celulares. A investigação, conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar, resultou na denúncia dos três PMs por roubo qualificado. Dois celulares foram recuperados, um estava com um dos agentes e outro com sua esposa.
Os PMs acusados são os sargentos Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim, além do cabo Rogério Vieira Guimarães, todos lotados em uma unidade da PM no Jardim Primavera, em Duque de Caxias. A investigação ainda busca identificar os quatro ocupantes dos carros de passeio que participaram do roubo.
O MP e a corregedoria enfrentaram dificuldades em identificar os policiais, pois eles não usavam câmeras corporais. O GPS da viatura foi utilizado como prova, mostrando que o carro estava no local e horário do crime. O MP também investiga outro registro de roubo envolvendo um ônibus, onde comerciantes foram abordados em Seropédica e exigiram R$ 30 mil para não apreenderem uma carga de celulares.
A TV Globo não conseguiu contato com a defesa dos presos.

