A Polícia Civil investiga três alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Agrônomo Narciso de Medeiros, acusados de torturar calouros em um alojamento em Iguape, no litoral de São Paulo. Os familiares das vítimas relataram que os calouros eram agredidos e humilhados por meio de um ‘juramento’ de trote.
As agressões eram registradas em vídeos pelo trio. O caso foi registrado como lesão corporal e vias de fato. Os indiciados, de 15, 16 e 18 anos, foram liberados após o indiciamento. O Centro Paula Souza (CPS) informou que está apurando os fatos e que os alunos envolvidos estão em atividades remotas.
Os relatos indicam que as agressões começaram em fevereiro, no retorno das aulas. O trio atuava como uma liderança no alojamento, que tem capacidade para 28 alunos, e submetia ao menos cinco calouros a agressões com alicate, cintos, pedaços de cano e tapas. Os calouros não podiam contar sobre as agressões aos funcionários da escola.
A situação foi revelada pela família de uma das vítimas, que notou um ferimento de alicate no peito do adolescente. Uma parente foi ao alojamento e encontrou pelos pubianos espalhados na cama como forma de punição. A família tomou conhecimento de outros menores que também estavam sendo torturados.
As agressões, segundo os depoimentos, terminariam após o ‘Dia da Libertação’, marcado para 18 de março. A Polícia Militar foi acionada e os envolvidos foram levados à Delegacia de Iguape, onde o caso foi registrado. Durante a apreensão, foram confiscados celulares, dois alicates e uma faca.
Além disso, a família da vítima com ferimento denunciou a presença de drogas no alojamento. Nos celulares dos jovens, foram encontrados vídeos das agressões, incluindo um em que um dos menores diz ‘já sofri demais hoje’ e se recusa a ir ao local das agressões.
O Conselho Tutelar de Iguape está acompanhando a situação e garantindo medidas de proteção aos adolescentes. Apenas uma das vítimas reside na cidade. O conselho informou que o jovem será encaminhado para acompanhamento da rede de proteção.
A Etec repudiou os fatos em nota, afirmando que a comunidade escolar foi fortemente impactada. Um comitê de crise foi criado e os alunos envolvidos foram afastados. O CPS também se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e afirmou que os alunos seguirão com atividades remotas até a conclusão dos trâmites legais.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que diligências estão em andamento para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.


