Trump afirma que novo líder do Irã não sobreviverá sem aprovação dos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (8) que o próximo líder supremo do Irã “não vai durar muito” se Teerã não obtiver sua aprovação. “Ele vai ter que obter nossa aprovação”, disse Trump ao canal ABC News. “Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito”.

Mais cedo, o Irã anunciou que definiu o sucessor do líder supremo Ali Khamenei, que faleceu no fim de fevereiro durante um bombardeio realizado por Estados Unidos e Israel. A escolha foi feita pela Assembleia de Peritos, órgão responsável por eleger o líder máximo da República Islâmica. O nome do sucessor de Khamenei ainda não foi revelado.

A informação foi confirmada pelo membro do conselho Ahmad Alamolhoda. De acordo com Alamolhoda, o anúncio oficial depende agora do chefe do secretariado da Assembleia de Peritos, Hosseini Bushehri, responsável por divulgar formalmente a decisão. A confirmação foi publicada pela agência de notícias iraniana Mehr.

A Assembleia de Peritos é formada por 88 aiatolás e tem a atribuição de selecionar o líder supremo do país desde a Revolução Islâmica de 1979, que consolidou a atual estrutura de poder da República Islâmica. Na última semana, circularam vários nomes como possíveis candidatos ao cargo, reservado a um religioso, incluindo o do filho do falecido guia, Mojtaba Khamenei, considerado uma das personalidades mais influentes do país.

Analistas também mencionaram o nome de Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Independente do nome, Israel já anunciou que o novo guia supremo será “um alvo” e Trump afirmou na quinta-feira, em uma entrevista à plataforma Axios, que não aceitaria Mojtaba Khamenei no cargo.

Nos últimos dias, o conflito atingiu diretamente a estrutura política do regime. Na terça-feira, 3, o Exército israelense atacou um prédio ligado à Assembleia de Peritos na cidade de Qom, no sul do Irã, segundo informações divulgadas pela imprensa israelense e pela agência estatal iraniana. Militares israelenses afirmaram que pretendem “perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder”, ampliando a pressão sobre a cúpula política do regime iraniano.

Khamenei morreu no dia 28 de fevereiro, após o bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos na capital iraniana. O ataque matou também comandantes militares e integrantes de alto escalão do regime e desencadeou uma escalada militar no Oriente Médio, com trocas de ataques entre Irã, Israel e forças americanas na região.

Na madrugada deste domingo, nono dia do conflito, Israel voltou a atingir alvos em Teerã. Segundo a agência France-Presse (AFP), ataques contra depósitos de combustível provocaram um grande incêndio na capital iraniana e deixaram quatro mortos. Ao menos quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos. Os bombardeios danificaram a rede de abastecimento e levaram à interrupção temporária da distribuição de combustível na cidade. Imagens do incêndio foram confirmadas pela agência Reuters.

Os efeitos do conflito se espalham para além da região. Bangladesh iniciou medidas de racionamento de combustível devido a dificuldades de abastecimento relacionadas à escalada militar no Oriente Médio.

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