Trump afirma que seria ‘honra’ tomar Cuba em meio a crise energética

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (16) que seria uma “honra” para ele “tomar Cuba”. A declaração ocorre em um contexto de crescente pressão dos EUA sobre a ilha comunista, que enfrenta uma grave crise energética.

Cuba tem sido um alvo de Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Durante esse período, ele reverteu a política de abertura promovida por Barack Obama e endureceu as sanções contra a ilha. No ano passado, ao retornar à Casa Branca, Trump revogou uma decisão anterior e recolocou Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo.

Após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela, Cuba voltou a ser foco da política externa americana. Em janeiro, a imprensa reportou que o governo Trump buscaria uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026. Desde então, os EUA intensificaram a pressão sobre a ilha, especialmente após a captura de Maduro em 3 de janeiro, quando impediram que Caracas enviasse petróleo ou dinheiro para Cuba.

No final de janeiro, Trump autorizou tarifas contra qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba, afirmando que a medida era necessária para manter a estabilidade no Caribe. A ordem assinada por Trump declarou: “Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais.”

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A situação em Cuba se deteriorou rapidamente, resultando em apagões frequentes devido à dependência da ilha de combustíveis importados. Especialistas afirmam que Cuba precisa de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia, mas produz apenas 40 mil. Sem o apoio da Venezuela, a falta de combustível levou a cortes de energia e escassez de combustíveis nos postos.

Em resposta à crise, o governo cubano anunciou medidas de racionamento de combustíveis e priorização de setores agrícolas e turísticos. No entanto, os apagões continuaram e, em 14 de março, manifestantes foram às ruas em protesto, resultando em ataques a sedes do Partido Comunista.

Frente a esse cenário, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou o início de negociações com os Estados Unidos em um pronunciamento na TV. Ele afirmou que as conversas visam encontrar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais. Apesar do contato, ainda existem diferenças significativas entre os dois países.

Fontes indicam que qualquer alívio da pressão americana depende de concessões políticas e econômicas de Havana. O jornal The New York Times revelou que os EUA estão pressionando para que Díaz-Canel deixe o cargo, embora não exijam mudanças amplas no regime comunista.

As negociações estão sendo coordenadas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que tem contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos. A participação de Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, nas conversas indica que a família Castro ainda exerce influência nas decisões políticas do país.

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